Máfia explorava migrantes e refugiados em centro de acolhimento

Polícia revelou que o clã controlou durante dez anos a gestão do centro de acolhimento de refugiados de Isola Capo Rizzuto, que acolheu até 1.500 pessoas

A polícia italiana anunciou hoje ter efetuado uma operação de detenção contra uma rede mafiosa suspeita de se ter infiltrado nos serviços de concessão de asilo, transformando-os num mercado, com a ajuda de uma associação católica.

O clã Arena, uma família de la 'Ndrangheta, a poderosa máfia calabresa, é suspeita de ter ganhado importantes somas de dinheiro fornecendo serviços destinados aos centros de acolhimento de refugiados e migrantes de Isola Capo Rizzuto, um dos maiores de Itália, e de Lampedusa.

Mais de 500 agentes da polícia participaram durante a noite na operação de detenção, que visou 68 pessoas suspeitas de associação criminosa, fraude, desvio de capitais públicos e roubo, anunciou, segundo a agência France-Presse, a polícia de Catanzaro (Calábria, sul de Itália) através de um comunicado.

As investigações da polícia revelaram que o clã controlou durante dez anos, "em seu benefício", a gestão do centro de acolhimento de refugiados de Isola Capo Rizzuto, que acolheu até 1.500 pessoas, indicou a polícia.

Entre as pessoas detidas, figura Leonardo Sacco, 35 anos, diretor da associação católica Misericordia, que gere oficialmente o centro de acolhimento. Um dos envolvidos, o padre Edoardo Scordio, terá recebido só este anos 132 mil euros por "serviços espirituais", segundo a BBC.

De acordo com a comunicação social italiana, consta também entre os suspeitos um padre local.

As suspeitas de desvios de fundos vêm a adensar-se desde há anos sobre os gestores do centro de acolhimento de Capo Rizzuto, onde a qualidade dos serviços prestados aos migrantes (alojamento e alimentação) não correspondia ao nível dos fundos despendidos pelo Estado.

A Itália tem revelado dificuldades em conseguir manter a qualidade de acolhimento dos cerca de 175 mil migrantes que tem atualmente alojados em centros espalhados por todo o seu território. Os centros são geridos por cooperativas, mas financiados pelo Estado, que lhes alocou 3 mil milhões de euros em 2017.

Na Calábria, o clã Arena tem estado sob vigilância estreita das autoridades italianas por suspeitas de atividades criminosas muito diversificadas. Em 2012, foi alvo da apreensão pela polícia de 350 milhões de euros em bens na região, incluindo um grande parque eólico.

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