Na Finlândia, há quem viva num lar de idosos aos 20 anos

Projeto para fomentar relações entre duas gerações diferentes e oferecer alojamento mais barato aos jovens começou esta semana

É comum, na Finlândia, que os jovens saiam de casa dos pais aos 18 anos. Mas as dificuldades para arranjar emprego estável têm obrigado os finlandeses - assim como tantos outros jovens em toda a Europa - a deixar a casa da família cada vez mais tarde. Também não ajuda o mercado de arrendamento: segundo um índice da Global Property Guide, a capital finlandesa é a 16.ª cidade, a nível mundial, onde sai mais caro arrendar uma casa, pior do que em Genebra ou Nova Iorque. Apesar de haver, em Helsínquia, a possibilidade de ficar com um dos imóveis geridos pela cidade, com preços mais acessíveis, a lista de espera é extensa.

Por isso, os responsáveis do município decidiram procurar alternativas para os jovens e lançaram o projeto 'Oman Muotoinen Koti', que se traduz como "a casa que se adapta". A ideia, conta a CNN, é oferecer aos mais jovens alojamento a preços acessíveis, pequenos estúdios dentro de lares de idosos, com uma condição para os arrendatários: que dediquem pelo menos cinco a três horas do seu tempo semanal aos novos vizinhos.

Segundo Miki Mielonen, representante do departamento da juventude da cidade de Helsínquia, há por trás deste conceito um duplo benefício: para os jovens, que conseguem casas mais baratas, e para os mais velhos, sem grandes hipóteses de convivência fora dos lares.

A inspiração foi um programa semelhante lançado na cidade de Deventer, na Holanda, que oferece alojamento gratuito aos estudantes universitários em troca da interação social com os idosos. Quando a proposta foi lançada em Helsínquia, no final do ano passado, foi um êxito: só nos primeiros dias teve cerca de 300 solicitações através do Facebook. Não é difícil perceber porquê, dizem os autores dos pedidos: os apartamentos tipo estúdio têm 23 metros quadrados com casa de banho, espaço de arrumação, cozinha e varanda.

O aluguer no lar de idosos custa 250 euros por mês, cerca de um terço do preço médio do arrendamento na capital finlandesa, esclarece o governo. Os participantes no programa, por outro lado, consideram que a condição de conviver com os idosos nem sequer é um sacrifício, mas uma "oportunidade": "Eles já viveram muitos anos e têm muitas experiências. Respeito isso, portanto posso escutar se quiserem contar-me algumas histórias", disse à CNN Veera Dahlgren, uma jovem de 18 anos que se candidatou a um dos estúdios.

Os responsáveis pelo projeto garantem mesmo que todos os jovens que responderam ao anúncio estão dispostos a dedicar mais do que as três a cinco horas pedidas aos novos vizinhos. Após um rigoroso processo de seleção, os que foram escolhidos têm capacidades que lhes permitem participar em várias atividades, desde 'workshops' de culinária ou tocar um instrumento para os mais velhos.

Apesar de reconhecerem que alguns dos idosos não quererão partilhar o seu espaço com os mais novos, a expetativa da câmara de Helsínquia é de que se criem relações positivas e laços entre duas gerações.

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