Merkel avisa que refugiados terão de voltar para casa

Militares turcos transportam o corpo de um dos mortos ontem na tentativa de chegar a Lesbos

40% dos alemães querem a demissão da chanceler. 275 pessoas já morreram este ano em tentativas para chegar a território europeu

Os refugiados sírios e iraquianos terão de voltar para casa, uma vez terminada a guerra nos países de origem, afirmou ontem a chanceler Angela Merkel, numa tentativa de neutralizar as críticas à sua política de acolhimento de naturais do Médio Oriente e de alguns países africanos. Esta levou à entrada de 1,1 milhões de pessoas na Alemanha só em 2015.

"É necessário dizer a essas pessoas que estão a viver uma situação temporária e esperamos - uma vez que haja paz na Síria e que o Estado Islâmico seja derrotado no Iraque - que elas voltem para os países de origem", declarou Merkel, que falava numa reunião do seu partido, a CDU, no estado de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental. Para sustentar a sua perspetiva, a chanceler lembrou que 70% dos refugiados da ex-Jugoslávia chegados à Alemanha nos 90, acabaram por voltar aos Balcãs quando a guerra acabou.

As declarações da chanceler alemã surgiram um dia depois de a revista Focus publicar uma sondagem em que se constata que cerca de 40% dos inquiridos quer a demissão de Merkel. O motivo invocado é, precisamente, a política de acolhimento de refugiados. Todavia, 45,2% considera que a "sua política com os refugiados não é razão para se demitir". Aliada à chegada dos refugiados, a questão ganhou ainda maior relevância com os incidentes de Colónia na passagem de ano, em que alguns indivíduos nesta situação agrediram sexualmente mulheres.

A situação está a favorecer partidos como o eurocético e anti-imigração Alternativa par a a Alemanha (AfD, na sigla alemã). Uma sondagem publicada há uma semana no Bild am Sonntag mostrava que este partido passou, pela primeira vez em muito tempo, a barreira dos 10% de intenções de voto. A sua dirigente, Frauke Petry, afirmava ontem que a vaga de imigrantes tem de ser detida, e foi ao ponto de afirmar que "deviam ser abatidos" os que tentam entrar na Alemanha de forma ilegal.

Apesar das advertências que se multiplicam e do agravamento das condições meteorológicas, os refugiados continuam a tentar chegar a território da União Europeia. Muitas vezes com consequências trágicas, como sucedeu ontem em Bademli, na Turquia. Uma embarcação de 17 metros, que trazia a bordo cerca de 120 pessoas, naufragou ao largo de Bademli, localidade turca situada diante da ilha grega de Lesbos, tendo morrido, pelo menos, 40 pessoas, das quais cinco eram crianças. Até ao final do dia tinham sido salvas 70, mas a guarda costeira turca considerava que o número de vítimas mortais ainda iria aumentar.

Este ano, segundo o ACNUR, já morreram 275 das 54 500 pessoas que tentaram a travessia. Em 2015, verificaram-se 3600 mortes.

O sentimento anti-imigração está a aumentar em muitos dos países que são o principal destino dos refugiados. Um desses países é a Suécia onde, na sexta-feira à noite, em Estocolmo, um grupo de encapuzados distribuiu panfletos ameaçando atacar os refugiados adolescentes. A polícia efetuou duas detenções e os media referiram alguns casos de agressões.

O incidente sucedeu poucos dias após uma assistente social, de 22 anos, ter sido morta com uma arma branca num centro de jovens refugiados. A Suécia recebeu 163 mil migrantes em 2015; na passada semana, anunciou a intenção de expulsar cerca de 80 mil.

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