Mais 34 morrem ao tentar chegar à Europa pelo mar

Corpos de algumas da vítimas recolhidos junto das costas do Mar Egeu

A Eslováquia, um dos países contra o sistema de quotas, vai enviar 25 polícias para ajudar a Macedónia a guardar a sua fronteira.

Os corpos de 34 refugiados, três deles crianças, que estavam a tentar chegar à ilha grega de Lesbos foram encontrados ontem em dois locais da costa do mar Egeu, depois de os barcos em que seguiam se terem virado devido ao mau tempo. O balanço foi feito pelas autoridades da Turquia, que temiam que este número pudesse vir a aumentar.

O mar Mediterrâneo continua a ser a principal porta de entrada de refugiados, na sua maioria sírios, na Europa. E, apesar do decréscimo deste fluxo no final do ano passado devido à chegada do tempo frio, esta foi a via escolhida por mais de um milhão de migrantes em 2015, cerca de cinco vezes mais do que em 2014.

O número de refugiados que ontem tentaram fazer a travessia entre Dikili, uma cidade costeira da Turquia, e a ilha de Lesbos, na Grécia, não era conhecido. Mas, cerca das 05.00 locais (03.00 em Lisboa), o mau tempo virou a embarcação ou embarcações onde seguiam. Até ao final do dia de ontem, o balanço de vítimas mortais, feito pelas autoridades turcas, ascendia a 34 pessoas.

Vinte e quatro corpos foram descobertos na costa de Ayvalik, outra cidade turca e que fica a cerca de 40 quilómetros de Dikili, de onde teriam partido. Os outros dez estavam junto a Dikili, explicou fonte da polícia local. "Ouvimos um barco a afundar-se e a embater nas rochas. Suponho que essas pessoas morreram quando estavam a tentar nadar para longe das rochas. Viemos aqui para ajudar como cidadãos", contou uma testemunha à Reuters.

O governador do distrito de Ayvalik, que fala em dois incidentes, adiantou ontem à agência de notícias Anadolu que as vítimas do primeiro desastre eram oriundas de países como Iraque, Argélia e Síria. Namik Kemal Nazli referiu ainda não ter informações sobre as nacionalidades dos refugiados que perderam a vida no segundo incidente.

Um corpo, com um colete salva-vidas, foi arrastado do mar para a praia de Ayvalik por um pescador e um polícia, segundo imagens captadas por várias agências noticiosas. Outros corpos, também com coletes salva-vidas, podiam ser vistos no local. A guarda costeira turca conseguiu resgatar com vida pelo menos seis refugiados, que conseguiram subir para um pontão, apesar do mau tempo. Estes foram transportados para o hospital local com sintomas de hipotermia.

Já em Dikili, onde foram encontrados dez corpos, 56 foram salvos com vida. Alguns deles tiveram de receber tratamento hospitalar, os restantes foram entregues às autoridades.

Preocupados com a primavera

A Eslováquia vai enviar 25 polícias para ajudar a Macedónia a guardar as suas fronteiras, pressionadas pela onda de refugiados que querem entrar na União Europeia, anunciou ontem o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico.

O governo de Bratislava, que na próxima semana irá aprovar o envio destes agentes para a Macedónia a partir de fevereiro, também deverá estender a ajuda a uma missão de 20 pessoas para a Eslovénia. A Eslováquia já enviou 50 polícias para a Hungria.

"Estamos prontos a ajudar outros países a um nível bilateral ou como parte de uma cooperação internacional", afirmou o chefe do governo eslovaco. "Estamos preocupados com o que irá acontecer nos primeiros meses da primavera, quando, se as estimativas da ONU estiverem certas, o fluxo de migrantes será maior do que já alguma vez vimos", prosseguiu Fico.

Até agora os membros da União Europeia ainda não conseguiram acordar uma estratégia comum para combater a onda de refugiados. Hungria, Eslováquia e República Checa são contra o sistema obrigatório de quotas nacionais, de forma a distribuir os 120 mil requerentes de asilo entre os 28 Estados membros.

A Hungria e a Eslováquia já interpuseram mesmo uma ação em tribunal contra este plano, defendido pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Bratislava, que deveria receber 802 refugiados através deste sistema, alega não ter poder para manter os migrantes no seu território caso a vontade deles seja ir, por exemplo, para a Alemanha.

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