O Parlamento britânico discute amanhã a petição para um segundo referendo sobre o brexit. É possível que aconteça?.Uma petição dos cidadãos, quando atinge um certo número de assinaturas, desencadeia automaticamente um debate no Parlamento. Mas isso não implica que haja um voto ou que o resultado do debate seja vinculativo para o governo britânico. No primeiro Conselho de Ministros no regresso das férias, esta semana, o governo deixou claro que não haverá um segundo referendo. Tem havido discussão sobre se seria ou não possível o governo ignorar o resultado, mas acho que isso não vai acontecer..A primeira-ministra britânica Theresa May tem dito que "brexit significa brexit"....Exato. Do ponto de vista legal, o referendo não é vinculativo, mas politicamente, a opção de ignorar o resultado do referendo e não sair da UE teria um preço político muito alto..E quando é que será acionado o artigo 50.º do Tratado de Lisboa?.O governo já disse que não será este ano, por isso será em algum momento em 2017. O que significa que o prazo de dois anos estabelecido nos tratados europeus vai expirar algures em 2019. O que não sabemos é em que momento do próximo ano vai ser e não é uma escolha fácil, porque haverá as presidenciais francesas em maio e eleições federais para o final do ano na Alemanha. Nem o presidente François Hollande nem a chanceler Angela Merkel terão muito tempo para negociações se estiverem em campanha. Certo é que, independentemente de quando for acionado, as negociações do brexit vão ser um tema nessas campanhas. Porque é um assunto muito importante na agenda europeia. Pessoalmente, acho que não será rebuscado pensar que o governo britânico vai esperar até depois das eleições alemãs..Mas não haverá pressão para que seja antes?.Haverá pressão, mas temos visto o discurso a mudar. Depois do referendo, Hollande disse que o artigo 50 devia ser acionado o mais rápido possível e agora mudou a sua posição e o mesmo aconteceu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Agora, todos estão alinhados com a posição alemã, que foi mais pragmática desde o início, e penso que é no interesse do Reino Unido e de outros estados membros de não apressar as coisas até terem uma posição clara de negociações. O brexit vai acontecer, é só uma questão de tempo, e é melhor para todos não apressar as negociações porque é do interesse económico de ambos os lados de chegar a um acordo razoável..Pode ou não o artigo 50.º ser acionado sem o voto dos deputados britânicos?.Isto tornou-se num tópico de discussão porque uma maioria de deputados é contra o brexit. O governo britânico tem estado a procurar aconselhamento legal e a conclusão é que não é preciso um voto no Parlamento para acionar o artigo 50.º. Mas, existe atualmente um processo em tribunal e, em algum ponto no outono, haverá uma decisão. Mas tudo aponta para que não seja preciso..Dois meses depois do referendo, já passou o choque inicial?.Uma sondagem YouGov mostrou que as pessoas não lamentam a decisão. Quem votou para sair da UE ainda está confiante de que essa é a melhor escolha, e quem votou para ficar também. Mas ainda é muito cedo. De certa forma ainda estamos no limbo, porque houve o voto para sair, mas o brexit ainda não aconteceu e as negociações ainda nem começaram.