Governo português é estável? "Isso ainda está para se ver", diz Juncker

Presidente da Comissão Europeia comentou política interna espanhola e, em consequência disso, o acordo de esquerda que viabilizou o atual governo liderado por António Costa em Portugal.
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Jean-Claude Juncker esteve hoje em Amesterdão, na Holanda, país que desde o dia 1 se encontra na presidência rotativa do Conselho da União Europeia.

Numa conversa com jornalistas espanhóis, à margem de uma cerimónia oficial, o ex-primeiro-ministro luxemburguês, democrata-cristão, comentou a situação política em Espanha.

"Não quero interferir nos assuntos internos de Espanha mas gostaríamos que Espanha tivesse um governo estável", declarou, citado pelo 'La Vanguardia' e 'El País', numa altura em que os espanhóis continuam sem um novo executivo, depois de nenhum partido ter assegurado maioria absoluta nas legislativas de dia 20 de dezembro.

Questionado sobre o que considera ser um governo estável o presidente da Comissão respondeu: "Isso é o que têm que dizer os políticos espanhóis, mas, normalmente, sabe-se o que é um governo estável". Mediante esta réplica os jornalistas espanhóis insistiram com Juncker, perguntando-lhe se considera que o governo de esquerda chefiado por António Costa em Portugal é um bom exemplo de governo estável. E ele afirmou: "Isso ainda está para se ver".

Estas afirmações surgem no mesmo dia em que o líder do PSOE, Pedro Sánchez, esteve em Lisboa para uma reunião com António Costa. Após o encontro, o líder dos socialistas espanhóis, que ficaram em segundo lugar nas legislativas de 20 de dezembro, elegendo apenas 90 deputados, disse ambicionar constituir um governo como fez António Costa em Portugal.

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Apesar das declarações de Juncker aos jornalistas espanhóis, o tema que dominou a primeira conferência de imprensa da presidência holandesa foi a situação na Polónia, onde o governo conservador do partido Lei e Justiça aprovou leis que dificultam a tomada de decisões do Tribunal Constitucional e estabelecem que os diretores dos media públicos sejam nomeados pelo ministro das Finanças.

"Não vamos dramatizar, são assuntos importantes, mas devemos ter relações boas e amigáveis. A nossa abordagem é muito construtiva e não estamos a atacar a Polónia", garantiu Juncker, depois de o comissário alemão, Günther Ottinger, ter ameaçado com a retirada do direito de voto a Varsóvia. O tema vai estar no centro da agenda da reunião do colégio de comissários no próximo dia 13.

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"No trabalho com 28 países, com os seus próprios interesses e com a sua própria História, a cooperação nem sempre decorre de forma amena, mas, no final, são os resultados que contam", afirmou, por seu lado, o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, deixando a garantia: "Vamos focar-nos no essencial".

Com 'La Vanguardia' e 'El País'

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