Governo britânico quer acabar com 'falsas doenças' que estão a pagar férias a turistas

Vários britânicos, em solo espanhol, inventam problemas gástricos para terem férias grátis
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O Governo britânico está a tentar pôr fim a uma prática que está a causar prejuízo em Espanha. Estima-se que a fraude já tenha custado cerca de 60 milhões de euros a hotéis espanhóis. A prática também já aconteceu em Portugal, tendo levado a uma posição britânica, em maio.

Esta fraude consiste em fingir intoxicações alimentares e problemas gástricos, algo que tem sido feito por muitos turistas britânicos em Espanha, para depois receberem indemnizações avultadas e ficarem com as férias pagas.

A Confederação de Hotéis e Alojamentos Turísticos de Espanha denunciou a situação no seu site, e disse que a "paciência" da indústria hoteleira de Espanha está a "chegar ao fim". Exigem também "uma solução e já". Cerca de 90% das queixas são falsas e são feitas já em solo britânico, para evitar o contacto com médicos espanhóis.

De acordo com o El País, os requisitos para apresentar o tipo de queixa em questão são praticamente inexistentes. Além de existir um prazo de três anos para reclamar, não é necessário nenhum relatório de um médico a confirmar uma qualquer intoxicação ou problema.

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Além disso, para evitar os custos de processos judiciais, muitos operadores turísticos e hotéis optam por pagar aos turistas.

De acordo com o jornal espanhol, só nas Baleares a prática fraudulenta aumentou 700%.

Nas redes sociais existem inclusivamente fotografias de carrinhas, colocadas perto de hotéis, para apresentação de reclamações.

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"A nossa mensagem a todos aqueles que fazem reclamações por falsas doenças é clara. Os seus atos são prejudiciais e não os vamos tolerar", declarou o ministro da Justiça do Reino Unido, David Lidington.

Theresa May, primeira-ministra britânica, também comentou a situação. Afirmou que os turistas que "respeitam as normas não devem pagar mais pelo seu merecido descanso devido às reclamações falsas que estão a fazer subir os preços". Acrescentou que o seu Gabinete vai tentar fechar o "vazio legal para que os operadores turísticos possam defender-se e evitar grandes custos".

A mesma situação já tinha sido reportada tendo em conta a estadia de turistas britânicos em Portugal. Na altura, o Governo Britânico alertou os turistas e pediu-lhes: "só deve considerar uma queixa ou reclamação se você contraiu um problema ou uma doença genuinamente. Se fizer uma participação falsa ou fraudulenta, pode ser alvo de procedimentos legais no Reino Unido ou em Portugal".

"Houve relatos de um aumento de turistas encorajados a apresentar uma participação por danos pessoais caso tenham tido uma doença gástrica durante a estada", lia-se então na página do ministério.

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