Fumos tóxicos na cabine obrigaram pilotos a aterrar de emergência
O incidente aconteceu a 25 de outubro do ano passado: os três pilotos de um voo de longo curso da companhia britânica British Airways viram-se obrigados a aterrar de emergência por se terem sentido mal. O avião, que descolara de São Francisco com destino a Londres, aterrou em Vancouver, no Canadá, onde os pilotos e restantes 22 membros da tripulação tiveram de receber assistência médica.
Sabe-se agora que foi devido a "fumos tóxicos" que se espalharam na cabine da aeronave: um relatório do chefe de cabine, redigido para efeitos de comunicação interna, foi divulgado pelo Sunday Times e refere que a aterragem de emergência ocorreu devido a "fumos do tipo gás tóxico" que acabaram por contaminar o ar no interior do Airbus A380, o maior avião comercial do mundo - pode transportar até 850 pessoas.
Segundo o relatório, 12 membros da tripulação mostraram sintomas "preocupantes", enquanto oito dos nove assistentes de bordo no andar de cima do avião - o A380 tem dois pisos - e o próprio comandante tiveram de recorrer às máscaras de oxigénio de emergência. "Tornou-se evidente que mais membros da tripulação estavam a comportar-se de forma não normal. Houve relatos de tonturas, dores de cabeça, náuseas, comichões nos olhos, sabor metálico na boca".
O relatório acrescenta ainda que os comportamentos mais preocupantes da tripulação foram a "confusão e o esquecimento", que os impediam de "pensar de forma racional e conversar de forma normal".
[twitter:790819326370586624]
Imagens do avião quando aterrou de emergência no Canadá foram partilhadas nas redes sociais
De acordo com informações reveladas pelo Sunday Times, os membros da tripulação continuaram a sentir-se doentes depois de terem deixado o hospital em Vancouver: no regresso a Londres, um deles perdeu os sentidos ainda no aeroporto de Heathrow.
A divulgação do relatório foi mais um argumento para os sindicatos do pessoal de cabine, que já vieram acusar a British Airways de "desvalorizar" o que aconteceu. Um porta-voz do Unite, citado pela imprensa britânica, afirma ser "surpreendente" que nenhuma das autoridades da aviação civil relevantes no Reino Unido pareça adequada para investigar o que foi "claramente um episódio de fumos tóxicos". "Os episódios com fumos e exposição continuada a ar contaminado a bordo são problemas que não podem simplesmente ser varridos para debaixo do tapete pela British Airways e restante indústria".
A British Airways garantiu que o A 380 foi examinado e não foi detetado qualquer problema. Um porta-voz da companhia explicou na altura que os engenheiros inspecionaram o avião em Vancouver e realizaram mais testes em Londres, não tendo encontrado falhas. "A segurança dos passageiros e tripulação está no topo das nossas prioridades", frisou o responsável.

