China avisa: Situação na península coreana é séria, não um jogo de computador

Declaração feita a propósito da possibilidade de novas sanções

A situação na península coreana é séria e não um jogo de computador, avisou a China esta quinta-feira, perante a possibilidade de virem a ser implementadas novas sanções sobre o regime liderado por Kim Jong-un.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros, através da sua porta-voz, considerou lamentável que alguns países apenas apliquem, sanções e e ignorem as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que apontam para a necessidade de diálogo.

"É lamentável que alguns países ignorem consecutivamente os apelos ao diálogo e apenas falem em mais sanções, enquanto a China e outros estão a promover um diálogo pacífico", disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

"Face ao deteriorar da situação, [estes países] evitam as suas responsabilidades, e as suas ações e discursos constituem um papel destrutivo e não construtivo", afirmou Hua, em conferência de imprensa.

A porta-voz da diplomacia chinesa lembrou que a crise nuclear na Coreia do Norte "não se trata de um filme ou jogo de computador, mas uma situação real, com impactos para a paz na região".

"Trata-se de um problema grave e importante", afirmou Hua Chunying, apelando às várias partes para que adotem uma "atitude responsável".

O Japão e os Estados Unidos estão de acordo quanto à necessidade de exercer mais pressão sobre Pyongyang após o novo lançamento de um míssil na madrugada de terça-feira, o qual, pela primeira vez desde 2009, sobrevoou o arquipélago japonês antes de cair a leste da ilha de Hokkaido em águas do Pacífico.

Donald Trump e Shinzo Abe "coincidiram totalmente" relativamente à postura e às medidas a tomar antes das constantes provocações da Coreia do Norte, assinalou o primeiro-ministro nipónico em declarações reproduzidas pela televisão estatal NHK.

O Conselho de Segurança da ONU, que reuniu de emergência a pedido de Tóquio e de Washington, condenou "veementemente" o lançamento pela Coreia do Norte, numa declaração adotada, na terça-feira, por unanimidade, ao fim de três horas de reunião.

"O Conselho de Segurança condena veementemente o míssil balístico lançado pela República Democrática Popular da Coreia [nome oficial do país] que sobrevoou o Japão, assim como múltiplos outros lançados em 25 de agosto de 2017", diz o texto aprovado pelos 15 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, incluindo a China, aliada de Pyongyang.

A declaração unânime do Conselho de Segurança da ONU descreve as ações de Pyongyang como "ultrajantes" e insiste em exigir-lhe que "pare de imediato" com os lançamentos.

"O Conselho de Segurança, determinado no seu compromisso por uma península coreana desnuclearizada, enfatiza a importância vital de ações imediatas e concretas" por parte de Pyongyang "de forma a diminuir a tensão", refere a missiva, sublinhando que os lançamentos representam "não apenas uma ameaça para a região, mas para todos os Estados-membros da ONU".

Ontem, Donald Trump defendeu que o diálogo não é solução para o problema da Coreia do Norte. "Os EUA estão a negociar com a Coreia do Norte e a pagar dinheiro de extorsão há 25 anos. Falar não é a solução!", escreveu o presidente norte-americano numa publicação no Twitter. Apenas uma hora depois, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, afirmou que há espaço para uma "solução diplomática".

Esta madrugada, os EUA fizeram um novo teste do seu sistema de defesa antimíssil, que foi bem-sucedido. O navio 'John Paul Jones' detetou e seguiu um míssil balístico de médio alcance, lançado da base em Kauai, no Estado do Havai, com o seu radar AN/SPY-1, e o sistema antimíssil SM-6, que está a bordo, intercetou-o, informou hoje a Agência de Defesa de Mísseis do Pentágono, em comunicado.

Esta foi a segunda vez que um míssil SM-6 intercetou um míssil balístico de médio alcance.

Apesar de este teste ocorrer num momento de tensão com a Coreia do Norte, um representante governamental afirmou, na cadeia televisiva CNN, que a sua realização já estava prevista muito antes da iniciativa de Pyongyang.

Na terça-feira, a Coreia do Norte disparou um míssil que sobrevoou a península de Oshima, na ilha japonesa de Hokkaido, no extremo norte do arquipélago, a 1.180 quilómetros do cabo de Erimo, no Oceano Pacífico.

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