"Ao nosso tolo líder: não ataque a Síria", disse Trump em 2013

Presidente dos Estados Unidos criticou várias vezes um possível ataque à Síria durante mandato de Obama
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A decisão dos Estados Unidos de atacarem a Síria durante esta madrugada mostra como o presidente Donald Trump mudou de opinião sobre como lidar com este país e os seus conflitos internos. Durante a administração de Barack Obama, Trump foi um ávido crítico de uma possível operação militar contra o regime de Bashar al-Assad, classificando-a várias vezes como um erro e o antigo presidente como "tolo".

Os Estados Unidos lançaram esta madrugada (hora de Lisboa) um ataque com mísseis à Síria, visando alvos militares do governo sírio, do qual terão resultado, pelo menos, quatro mortos - foram seis, segundo o exército sírio. O ataque, que envolveu o lançamento de pelo menos 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk, aconteceu dias depois de um ataque químico que matou mais de 70 pessoas na Síria.

Na quarta-feira, Donald Trump afirmou que a Síria "ultrapassou várias linhas", numa alusão à "linha vermelha" fixada pelo antecessor Barack Obama em caso de utilização de armas químicas. O ataque provocou "uma grande alteração da minha atitude em relação à Síria e a Assad", continuou o presidente.

Esta mudança de atitude torna-se clara quando se recordam algumas das declarações de Donald Trump sobre a Síria no passado, como fez a CNN.

"Mais uma vez, ao nosso tolo líder, não ataque a Síria - se o fizerem muitas coisas más vão acontecer e os EUA não vão ganhar nada com essa luta", escreveu o atual presidente a 5 de setembro de 2013 no Twitter.

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"Presidente Obama, não ataque a Síria. Não há nenhum lado positivo e um tremendo lado negativo. Guardem o 'pó' para outro (e mais importante) dia", escreveu Trump dois dias depois, a 7 de setembro de 2013. Nesta publicação, pó parece ser uma referência a pólvora.

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Outras publicações no Twitter mostram que Trump acreditava que, caso os Estados Unidos insistissem em atacar o país de Assad, deveriam "apanhá-los de surpresa" e não divulgar os planos nos meios de comunicação "como idiotas".

"Eu não entraria na Síria mas mas se entrasse seria de surpresa e não espalharia tudo nos media como idiotas", escreveu o presidente a 29 de agosto de 2013.

"Se vamos continuar a ser estúpidos e entrar na Síria (olhem para a Rússia), como dizem nos filmes, disparem primeiro e falem depois", publicou no mesmo dia.

"Deixem a Liga Árabe lidar com a Síria. Porque não estão estes países árabes ricos a pagar-nos pelos tremendos custos de um ataque destes?", escreveu Trump minutos depois.

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É de realçar que na altura em que Trump emitiu estas opiniões o presidente não tinha acesso às informações confidenciais que agora tem.

Na reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU desta semana, a embaixadora dos EUA já tinha dado a entender que o país estava pronto para agir sem o apoio das Nações Unidas.

"Quantas crianças têm de morrer para que a Rússia se importe? Quando a ONU falha frequentemente o seu dever de agir coletivamente, há alturas em que os Estados têm de agir sós", disse Nikki Haley, mostrando fotografias das vítimas do ataque químico de terça-feira.

Apesar de Trump defender no passado um ataque surpresa, os EUA garantiram que a Rússia, principal aliada da Síria, foi avisada antes do ataque para evitar que militares russos fossem atingidos.

Moscovo condena a ação, que considera ilegal e sem fundamentos "a partir de um pretexto encenado", já que não havia provas de que o ataque químico tivesse sido ordenado por Assad.

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