Rede Anti-Pobreza quer combate à exclusão como prioridade nas candidaturas autárquicas

A Rede Europeia Anti-Pobreza, que promove hoje em Vila Nova de Gaia a conferência "Poder local e o combate à pobreza", espera que a luta contra a exclusão social seja uma das prioridades das candidaturas às próximas autárquicas.

"A pobreza e a exclusão são metas importantes em qualquer modelo de governação. Precisamos de uma sociedade diferente que não marginalize uma quantidade enorme de pessoas que não tem acesso ao trabalho, uma quantidade enorme de crianças que estão abaixo do limiar da pobreza. Temos de ser inventivos e criativos", disse à agência Lusa a diretora executiva da rede, Sandra Araújo.

Em jeito de antecipação a uma conferência que ao longo do dia junta, no auditório do Parque Biológico de Gaia, distrito do Porto, responsáveis de vários níveis de governação, nomeadamente municipais, bem como especialistas, Sandra Araújo apontou como "missão" da rede "lutar para que a pobreza não seja vista como um problema dos pobres", mas sim como "um problema que põe em causa a sustentabilidade e a saúde das sociedades".

O evento tem início com as intervenções do presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e do presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal, Agostinho Jardim Moreira, seguindo-se a conferência com o nome "Qual o papel que as autarquias assumem ou podem assumir no combate à pobreza" com a participação do docente do Instituto Universitário de Lisboa, José Manuel Henriques.

Já o painel "O objetivo do combate à pobreza na agenda da governação local" junta o secretário de Estado para as Autarquias Locais, Carlos Miguel, bem como responsáveis da Direção-Geral do Território, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias e da Comissão da Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.

"A causa da pobreza move-nos no seu coletivo. Tentamos sensibilizar toda a sociedade para as questões da pobreza e da exclusão no sentido de lutarmos nas causas e não tanto nas consequências. Para lutarmos e superarmos as causas da pobreza e da exclusão - que não são só sociais, há causas económicas e políticas - temos de trabalhar o nível político para conseguirmos algumas alterações nas agendas de governação", descreveu a diretora executiva.

Sandra Araújo apontou que a EAPN Portugal fez "uma campanha muito forte sobre o facto de Portugal precisar de uma estratégia nacional de combate à pobreza", considerando que este combate é "governamental, interministerial, e partidário inclusivamente", mas "sem nunca descurar a dimensão local".

"Terá de haver no desenho dessa estratégia um envolvimento muito forte do nível territorial (?). Este ano, como temos também daqui a uns meses eleições autárquicas, temos feito algum trabalho de influência política. Achamos pertinente organizar este evento para criar um espaço de reflexão a todos aqueles que serão os candidatos aos municípios portugueses para perceber que tipo de prioridade vai ser dada ao combate à pobreza ao nível local", referiu.

Para a tarde está reservado o painel "Modelos de governação: o desafio da participação dos cidadãos" com representantes de municípios identificados, explicou Sandra Araújo, pelas medidas e projetos que têm levado a cabo neste campo.

Que leitura é que fazem da realidade da pobreza e da exclusão social? Que leitura é que fazem daquele que é o papel dos municípios no combate à pobreza e à exclusão social? - são outras das perguntas que a organização antecipa que poderão gerar debate no evento, somando-se questões sobre as metas do Fundo Social Europeu.

"Existe uma meta para que 20% do Fundo Social Europeu seja investido no combate à pobreza, também vamos ver se alguns dos interlocutores nos consegue dizer se este compromisso vai ser cumprido", revelou Sandra Araújo, destacando ainda a preocupação em "construir uma democracia que não seja só representativa, mas que seja também participativa".

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