Cereja de Alfândega da Fé chega à alta cozinha do Porto

A cereja de Alfândega da Fé vai chegar aos menus da alta cozinha do Porto, cidade onde foi hoje apresentada a festa que entre 09 e 11 de junho promove o emblemático produto deste concelho de Bragança.
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O município escolheu para apresentar o programa da Festa da Cereja o restaurante do chefe de cozinha Marco Gomes, que vai acrescentar ao menu uma nova entrada criada para o almoço de hoje e inspirada nas cerejas colhidas na véspera em Alfândega da Fé.

Os bombons de 'foie gras' foram uma das novidades de um almoço com a cereja presente em todos os pratos e que passarão a integrar o menu do restaurante "Oficina", como confirmou o chefe Marco Gomes.

A presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Berta Nunes, explicou a escolha com o facto de Marco Gomes ser natural do concelho transmontano e porque "tem sido embaixador dos produtos e da gastronomia" tradicionais.

O chefe estará presente em Trás-os-Montes para uma demonstração de cozinha durante a feira impulsionada há quase 40 anos pela cereja, mas que é uma montra de todos os produtos de Alfândega da Fé.

A agricultura é o setor com maior peso económico neste concelho e a cereja nem é o que tem mais expressão, mas acabou por vingar depois daquele que é considerado o "pai" da agricultura transmontana, Camilo Mendonça, ter projetado, na década de 1960, para esta zona os pomares deste fruto.

O município vai homenagear Camilo Mendonça com a apresentação de um livro sobre o "engenheiro" que impulsionou também o azeite, a amêndoa, castanha, hortícolas, produtos que precedem a cereja em termos de peso económico.

A autarca indicou que nos últimos anos novos investimentos estão a permitir aumentar e diversificar as produções e que o propósito é continuar a expandir, embora sem expectativas de criação de emprego, devido à mecanização.

Segundo a presidente da câmara falta mão-de-obra na agricultura e sazonalmente, na época das campanhas, é visível a presença de imigrantes, nomeadamente búlgaros, mas também paquistaneses e nepaleses.

Um fenómeno em sentido contrário àquele que leva muitos portugueses, e concretamente desta região, à apanha de cultura em Espanha e França, com contratos sazonais.

Tal como acontece com outras culturas, a área de cerejal está a aumentar e algumas das novas plantações devem-se aos quatro jovens agricultores que aceitaram cultivar terras cedidas pela câmara.

Os pomares de cereja ocupam 60 hectares e o potencial da produção ronda as 100 toneladas.

No fim de semana da Festa estão disponíveis para venda cerca de 10 toneladas da cereja e transformados, onde não faltará o salpicão de cereja, compotas, entre outros.

Entre os mais de 100 expositores, encontra-se a variedade de produtos do concelho transmontano, assim como tasquinhas com a gastronomia regional, como indicou Ana Duque, responsável pela organização.

A animação contempla também espetáculos musicais com nomes como João Pedro Pais e do programa da festa continua a constar o encontro de pastores em homenagem àqueles que são os arquitetos da paisagem.

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