Autarca de Alfândega da Fé reclama plano de desenvolvimento do interior

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A presidente da Câmara de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, reclamou hoje um plano de desenvolvimento do interior construído com as pessoas que estão no terreno e que avance além dos diagnósticos e discursos.

Para a autarca socialista de um concelho que perdeu metade da população nas últimas décadas, "o diagnóstico está feito: o interior está a perder população com uma série de consequências negativas, entre as quais também o abandono das terras e até os fogos florestais, que é o que está agora na atualidade".

Berta Nunes defende que não podem ser só os especialistas a definir este plano e que o ponto de partida pode ser o trabalho feito pela Unidade de Missão para a Valorização do interior, que considera não ser suficiente para reverter o despovoamento da faixa interior "que é a maior parte do território" português.

A fuga de população começou com a emigração e agora, como constatou, "resulta da emigração e do envelhecimento, com um saldo fisiológico (diferença entre a natalidade e mortalidade) negativo, ou seja morrem mais pessoas do que aquelas que nascem, com mais peso agora que a própria emigração".

Para reverter esta realidade, defende que "é preciso haver mudanças na visão do país sobre o Interior" e que "não basta" o discurso, que considera, contudo, "positivo", do primeiro-ministro António Costa "de que o interior não é as traseiras do litoral, que é de facto uma parte do território que está mais próxima da Europa".

A autarca socialista entende que "é preciso avançar mais" e que o trabalho desenvolvido pela Unidade de Missão pode ser um ponto de partida para "um plano de desenvolvimento integrado para o interior, que tenha alocados os recursos necessários para o levar à prática, que seja integrado, que tenha vários eixos de desenvolvimento desde a agricultura, a floresta, a agroindústria, turismo, mas não só".

Berta Nunes reclama mais "celeridade" neste trabalho que deverá implicar "todos os ministérios e para o qual fossem alocados recurso e que tivesse objetivos, metas e uma calendarização para que as coisas não ficassem mais uma vez na gaveta.

"Também é importante que o debate não comece novamente pelo diagnóstico, porque já estamos fartos de ouvir falar no diagnóstico, já conhecemos os problemas", afirmou, em declarações à Lusa.

A presidente de Alfândega da Fé defende ainda que esta "discussão tem que ser feita com as várias partes interessadas", desde "autarquias, associações" a "grupos de cidadãos e os ministros e os secretários de Estado também têm que vir ao terreno".

"Também não vamos pensar que vão ser os especialistas no gabinete a construir esse plano. Fazem falta na discussão, mas esse plano tem de ser construído com as pessoas que estão no terreno, porque os especialistas podem trazer achegas importantes, mas não conhecem a realidade do dia-a-dia e não conhecem a realidade n os seus pormenores", considerou.

Berta Nunes acredita que haverá vontade localmente para avançar para este trabalho "se as pessoas perceberem que não é mais uma vez discutir para não fazer", como considera que aconteceu, por exemplo, com a discussão para a distribuição de fundos comunitários.

"Fizemos uma grande discussão sobre a importância da coesão e [nós], os autarcas do interior, começamos a chamar a atenção que ao fim de quatro quadros comunitários não estávamos mais coesos como território. (...) Disseram que isso ia ser tido em consideração e, no fim, tivemos um quadro comunitário ainda pior que o anterior, em que os pequenos municípios estão a ser muito prejudicados em várias áreas", apontou.

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