PIB cresce 0,8% no terceiro trimestre. Centeno diz que "dados não surpreendem"

Exportações aceleraram e procura interna cresceu

A economia portuguesa cresceu 0,8% em termos reais no terceiro trimestre, em relação ao anterior, e 1,6% em termos homólogos, ou seja, em relação ao mesmo período do ano passado, informou esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O gabinete de estatísticas explicou que "o crescimento mais intenso do PIB refletiu principalmente o aumento do contributo da procura externa líquida, verificando-se uma aceleração mais expressiva das exportações de bens e serviços" face à das importações de bens e serviços. E sublinha ainda que a aceleração das exportações "foi comum às componentes de bens e de serviços".

Por outro lado, aumentou também o contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB no terceiro trimestre, em resultado da "aceleração do consumo privado" devido ao comportamento da componente de bens não duradouros e serviços, enquanto a componente de bens duradouros desacelerou.

Em comparação ao segundo trimestre, o crescimento da economia portuguesa foi de 0,8% em termos reais (0,3% no trimestre anterior), depois do contributo da procura externa líquida ter sido positivo, refletindo "o forte aumento das exportações de bens e serviços", enquanto "a procura interna registou um contributo negativo".

Os valores hoje divulgados superam as expectativas dos vários analistas contactados pela Lusa, que estimavam em médios aumentos de 0,3% em cadeia e 1,1% em termos homólogos, atribuindo-os sobretudo a uma quebra na procura interna.

Para o gabinete do ministro Mário Centeno, "estes dados não surpreendem". "Os indicadores de confiança, coincidentes e avançados de várias instituições já faziam prever uma aceleração da atividade económica", diz o ministério em comunicado, lembrando ainda que "o crescimento foi sustentado nas componentes externa e interna e no forte crescimento do emprego".

Estimativas eram mais pessimistas

A estimativa mais pessimista foi a do Núcleo de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, que antecipou um crescimento económico de 0,2% em cadeia e de 1% em termos homólogos.

Os economistas da Universidade Católica mostraram-se "fortemente preocupados" com o investimento, que voltou a recuar no segundo trimestre, "sugerindo que o processo de recuperação da economia portuguesa sofreu uma interrupção".

A estimativa dos analistas do BPI apontou para um crescimento económico entre 0,2% e 0,3% no terceiro trimestre face ao anterior e de 1% em termos homólogos e os do Montepio mostraram-se ligeiramente mais otimistas, estimando um crescimento homólogo do PIB de 1,1% e um avanço de 0,3% em cadeia.

Também o BBVA estimou um avanço do PIB de 0,3% no terceiro trimestre face ao segundo, devido à solidez do consumo, ao dinamismo da exportação de bens e serviços (turismo), prejudicados por um "investimento entravado pela incerteza".

Por sua vez, o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) foi o mais otimista, esperando um crescimento em cadeia de 0,5% e homólogo de 1,3% no terceiro trimestre.

O Governo prevê que a economia portuguesa cresça 1,2% no conjunto de 2016, uma estimativa que está entre as mais otimistas entre analistas contactados pela Lusa, que apresentam previsões entre os 0,9% (NECEP) e 1,2% (valor central da estimativa do ISEG).

O INE explica que esta estimativa rápida inclui revisões na informação de base utilizada, nomeadamente decorrentes da utilização dos dados mais recentes do comércio internacional de bens, com revisões em termos nominais e ao nível dos deflatores para o segundo trimestre de 2016, mas adianta que esta nova informação "não implicou revisões nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB".

Os resultados correntes das Contas Nacionais Trimestrais do terceiro trimestre de 2016 serão divulgados no próximo dia 30 de novembro, refere o INE.

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