O crescimento de 2,8% no primeiro trimestre face a igual período de 2016 pode fazer de 2017 o melhor ano económico dos últimos dez. Economistas ouvidos pelo DN/Dinheiro Vivo acreditam que a projeção de 1,8% partilhada por governo, Banco de Portugal e Comissão Europeia até pode pecar por defeito e há já quem admita "2% ou mais" e até 2,4% em 2017..Segundo informou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE), aquela expansão de 2,8% é a mais forte dos últimos dez anos. É preciso recuar ao 4.º trimestre de 2007 para ter um ritmo igual. O INE explica que a aceleração no arranque de ano, pelo terceiro trimestre consecutivo, veio do "maior contributo da procura externa líquida, que passou de negativo para positivo, refletindo a aceleração em volume mais acentuada das exportações do que a das importações". Além disso, "a procura interna manteve um contributo positivo elevado, embora inferior ao do trimestre precedente", com "desaceleração do consumo privado e aceleração do investimento"..O investimento teve um início de 2016 muito difícil, arrastado por uma contração da componente pública, mas, mais para o final, o investimento público despertou, animado pela entrada de fundos europeus. Neste ano, estima-se que possa crescer na casa dos 30%..Os economistas ouvidos têm reservas, claro: é só um trimestre, é preciso "cautela", mas admitem que pode haver pernas para andar e até já ponderam projeções anuais superiores aos 1,8% do governo..João Borges de Assunção, professor de Economia da Universidade Católica de Lisboa e coordenador do Núcleo de Estudos de Conjuntura (NECEP), diz que "este dado é bastante bom e consistente com uma ideia de dinâmica que pode vir a ser mais duradoura". "É cedo para confirmarmos", mas os 2,8% anunciados pelo INE "são bastante fortes e o impacto psicológico que isto tem nos consumidores e empresas não é despiciendo. A nossa projeção para 2017 está agora centrada nos 2,4%". José Cerdeira, do departamento de estudos do BPI, defende que "estes dados melhoram a perspetiva para 2017 - esperamos agora que o PIB aumente mais de 2%"..António Mendonça, professor de Economia do ISEG e antigo ministro das Obras Públicas do segundo governo de José Sócrates, destaca que "a procura externa ganhou força, provavelmente apoiada no turismo, que está imparável, e nas exportações das nossas empresas". "Do lado interno, destacaria os sinais mais positivos, sobretudo no investimento, mas aqui diria que ainda não é totalmente convincente. Basta que algum risco se materialize, causando danos sobre a confiança e o investimento empresarial pode não se materializar." "As empresas não investem por uma questão de fé", avisa.."Importante é a ideia de maior estabilidade nos rendimentos das famílias" depois dos "cortes dolorosos" aplicados pelo PSD-CDS, que "acabaram por fazer mais mal do que bem à economia e à consolidação orçamental", diz o ex-governante socialista. Filipe Garcia, consultor da IMF, destaca o "espetacular desenvolvimento do turismo" e fala de um contexto de "bonança perfeita": apoio do BCE, que mantém os juros controlados, e os "principais parceiros de Portugal a crescer e a acelerar". "As previsões para o PIB em 2017 serão provavelmente revistas em alta pelas instituições", acredita o economista.