Montijo é a única "opção tecnicamente viável" para a Portela

Eurocontrol diz que opção pelo Montijo garante os 72 movimentos necessários para dar sustentabilidade ao crescimento de tráfego

Novo estudo dos controladores europeus exclui Sintra e Alverca e valida a base do Montijo como melhor solução para Lisboa

Nem Sintra nem Alverca. A base aérea do Montijo é a única "opção tecnicamente viável" para a extensão do aeroporto de Lisboa. A conclusão faz parte de um estudo realizado pelo Eurocontrol - organização europeia para o controlo aéreo europeu - que será apresentado hoje ao grupo de trabalho que inclui governo, Força Aérea, ANA e NAV e que tem vindo a pensar a solução para o futuro do principal ponto de chegada ao país.

O documento, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso, valida assim a base aérea n.º 6 (BA6) como a melhor solução para complementar o aeroporto de Lisboa enquanto este se mantiver como está. Ou seja, enquanto não for construída uma infraestrutura aérea de raiz que sirva a capital, o Montijo é para o Eurocontrol a opção que garante os 72 movimentos de aviões por hora que permitem dar sustentabilidade ao crescimento do tráfego em "segurança e operação simultânea" com a Portela.

Com esta abertura prevê-se que em 2022 Lisboa possa ter já 695 movimentos diários na pista principal e outros 102 no Montijo. Oito anos mais tarde, o crescimento previsto é de 18% na Portela e 15% no Montijo. Este cenário desenhado pelo Eurocontrol baseia-se numa opção em que a pista 17/35 (a pista secundária da Portela) é encerrada e o Montijo passa a assegurar a complementaridade da Portela. Ali, prevê-se a entrada das companhias aéreas de baixo custo, libertando espaço ao aeroporto principal para as companhias tradicionais (legacy) e favorecendo o hub a que a TAP tanto ambiciona. No espaço da 17/35 poderá ser construído um miniterminal ou pode alargar-se o estacionamento de aeronaves.

O facto de o Montijo conseguir operar em simultâneo com a pista principal da Portela é, para os controladores europeus, a grande vantagem do Montijo e a razão que afasta outras soluções que têm estado em cima da mesa: Alverca e Sintra. Isto, porque a base aérea do Montijo é a única que tem uma pista paralela com a 3/21, a pista principal do aeroporto de Lisboa. Os testes realizados pelo Eurocontrol mostram mesmo que a base do Montijo permite a autorização de descolagens com um minuto de intervalo entre si, o que facilita a otimização de saídas e chegadas. Neste cenário, seria possível que o aeroporto principal realizasse 48 movimentos e o complementar outros 24, por hora.

Não é só. A opção do Montijo dá resposta a um tema sensível para o setor, que é o da segurança à aterragem. Atualmente só a pista secundária da Portela (17/35) permite aterrar em Lisboa quando há ventos contrários.

Mas, apesar desta opção ser considerada a mais válida para o aeroporto de Lisboa do ponto de vista técnico - como também a NAV já tinha advogado -, o Eurocontrol admite que está dependente de uma cedência de frações de espaço que atualmente estão sob gestão e utilização militar, tanto em Sintra como em Monte Real. "A redução das áreas restritas e de perigo permite uma maior sequência de chegadas e encurtar o tempo de espera nas partidas, aumentando o número de movimentos de pista", explicam os especialistas em navegação, acrescentando que "a redução do tempo de espera na aterragem (com menor ocupação da pista) é essencial para que se aumente o número de chegadas e de movimentos".

Numa altura em que a Força Aérea já levanta dúvidas em relação a um plano de expansão conjunto (civil e militar), o uso de espaço militar será mais uma pedra no sapato de Pedro Marques, que prometeu uma solução em breve para o aeroporto de Lisboa e que está mesmo no Orçamento do Estado para o próximo ano. Ainda ontem o ministro assegurava ao Negócios e à Antena 1 que o processo arranca no próximo ano. Em todo o caso, a opção liberta na totalidade o campo de tiro de Alcochete, que a Defesa já considerou "estruturante" para a atividade da Força Aérea (ver texto ao lado).

ANA faz sugestão

O contrato de concessão da gestora aeroportuária prevê estudos para o desenho de um novo aeroporto. No entanto, antes de avançar, o contrato de venda aos franceses da Vinci admite a introdução de uma pista complementar. Quando esta for definida, seja o Montijo ou outra, a ANA terá de fazer uma proposta formal ao governo. Será com base nesta proposta que terá de ser feita uma revisão ao contrato de concessão que poderá vir a ser prolongado.

A ANA ficará como gestora do Portela+1 e poderá ainda estabelecer redução de taxas ou outras alternativas para as companhias que aceitem passar para lá. No entanto, pelo que tem vindo a ser noticiado nos últimos tempos, nem todas as low-cost querem mudar: A Ryanair vê no Montijo a solução para crescer, mas a easyJet não vê com bons olhos a passagem para um aeroporto secundário, já que assenta a sua operação nas infraestruturas principais.

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