Maiores bancos do mundo atacam Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. A instituição que dirige está sob fogo

Bank of America, Barclays, Citibank e Credit Suisse são algumas das instituições de topo que vão reunir-se hoje em Londres

Os maiores bancos do mundo vão reunir-se hoje, ao meio-dia, em Londres, para avaliar o problema criado pelo Banco de Portugal nas obrigações do Novo Banco, confirma a Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA, na sigla em inglês), com sede na City londrina. Ontem, houve uma primeira reunião. Foi inconclusiva.

O encontro de urgência na ISDA pode decidir se há ou não um "evento de crédito" (incumprimento de obrigações) e se devem ser acionados os respetivos seguros para cobrir as perdas em que os "institucionais" entretanto incorreram ou vão incorrer.

Se sim, podem estar em risco de incumprimento não cinco, mas mais de 50 linhas obrigacionistas do Novo Banco no valor de 18 mil milhões de euros em dívida, na sequência da decisão "arbitrária" tomada pelo Banco de Portugal a 29 de dezembro último, revela Mark Gilbert, membro do conselho editorial da Bloomberg.

E diz mesmo que a solução encontrada pelo banco central é como uma "granada" sobre o "caótico" mercado obrigacionista do país. Se o pior cenário se materializar, tratar-se-á de um evento de crédito de grande magnitude.

A associação, que representa o mercado de seguros contra perdas e incumprimento em ativos, reúne-se em sede de "comité de determinações", confirma a instituição. Este órgão consiste num grupo de 15 elementos (10 grandes bancos grossista e cinco gestoras de fundos, as retalhistas). Ao encontro vão os maiores do mundo da finança, basicamente. Na mesa estarão: Bank of America, Barclays Bank, BNP Paribas, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Gold-man Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Nomura. Todos com assento no referido "comité de determinações" que votará sobre o "precedente" Novo Banco gerado pelo Banco de Portugal.

Além das instituições com direito a voto (o esquema de votação é rotacional) estarão ainda na sala o gigante japonês Mizuho, a Société Générale e fundos de gestão de capitais, como Alliance-Bernstein, BlueMountain Capital, Citadel, Pimco, Cyrus Capital, Elliott Management.

A Pimco tem sido das instituições mais hostis e verbais neste caso, tendo atacado por várias vezes Portugal, a solução de Carlos Costa e levantado a hipótese de existir contágio a outros bancos do euro. Terá sido das mais penalizadas com a decisão de reverter as obrigações para BES.

A ISDA está a tentar perceber se este precedente português "conta como um evento de crédito". O analista recorda que "o banco central português atirou o seu mercado de obrigações para uma confusão", que as cinco obrigações do Novo Banco valiam dois mil milhões de euros, mas que a decisão "destrói cerca de 80% do valor dos ativos" ao enviá-las para o banco mau.

"Se assim for [se a ISDA concluir que há evento de crédito], os contratos de seguro sobre as obrigações, os chamados credit-default swaps, serão acionados e os detentores de obrigações podem receber os seus seguros."

Quando a ISDA decidir que há um evento de crédito nas cinco obrigações que espoletaram a polémica, "então, em teoria, será acionada uma cláusula legal conhecida por default cruzado [cross default] - e mais de 50 obrigações do novo Banco, no valor de 18 mil milhões, podem ser consideradas em incumprimento".

Se isso acontecer, o especialista da Bloomberg acredita que "instalar-se-á o caos, de certeza", mas também pode acontecer que "consiga chamar o banco central português à razão" e "persuadir o Banco de Portugal a reverter a decisão" de final de dezembro.

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