A economia portuguesa criou 144,8 mil empregos entre o primeiro trimestre de 2016 e igual período deste ano. É um aumento de 3,2%, o maior de que há registo nas séries do Instituto Nacional de Estatística (INE), que remontam a 2008..Neste arranque de ano, a taxa de desemprego caiu para 10,1% da população ativa (era 10,5% no últimos trimestre de 2016), mas o salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem manteve-se estável nos 846 euros mensais, uma subida de apenas 1,6% no último ano, apesar de o salário mínimo (SMN) ter subido 5%, para 557 euros, desde 1 de janeiro e de ter havido algum alívio na retenção de IRS (fim da sobretaxa para quem ganha até 1705 euros brutos). Muitos criticaram o aumento do SMN por ser uma medida que dificultaria a contratação e agravaria os custos salariais das empresas. Não aconteceu..Portugal tem agora 523,9 mil pessoas sem trabalho, menos 18,2% (menos 116,3 mil pessoas) face a igual trimestre do ano passado, a maior descida desde o terceiro trimestre de 2013. Desde esta altura, aliás, que o contingente tem vindo sempre a diminuir. O governo, no Programa de Estabilidade, projeta um nível de desemprego médio de 9,9% para este ano..O INE repara ainda que a população desempregada diminuiu 3,5% em relação ao trimestre anterior (19,3 mil) e que "este decréscimo contraria os acréscimos globalmente observados nos primeiros trimestres dos últimos dois anos". Ou seja, há uma rutura com o que costumava acontecer nos arranques de cada ano..A taxa de desemprego jovem (15 a 24 anos) desceu para 25,1%, abaixo dos 31% do primeiro trimestre de 2016. Portugal terá agora cerca de 91,6 mil pessoas dos 15 aos 24 anos sem trabalho. A taxa de desemprego dos licenciados também aliviou de forma significativa, de 9,6% nos primeiros três meses do ano passado para 6,8% agora..Outro fenómeno que costuma afetar o mercado português é a permanência prolongada no desemprego, problema que parece estar a aligeirar-se. Há 308,6 mil pessoas nesta condição (à procura de trabalho há um ano ou mais), menos 18,6%.Todas as regiões têm bastante menos intensidade de desemprego face ao início de 2016, mas comparando com o final desse ano, as melhorias mais notórias acontecem nos Açores (taxa de 9,3%), no Norte e em Lisboa (10,9% e 10,8%). A Madeira teve o maior agravamento no desemprego, que afeta agora 12,5% da população ativa..Por setores, a agricultura sofreu um agravamento homólogo do número de desempregados (mais 17%), mas, na indústria e construção, o fenómeno aliviou (-27%) e nos serviços também (-14%)..No emprego também houve avanços. A população empregada aumentou 3,2% (em termos homólogos) para 4,658 milhões de pessoas. Ou seja, em um ano foram criados mais 144,8 mil empregos líquidos na economia e esse aumento foi "o maior desde o quarto trimestre de 2013", sublinha o INE..Manuel Caldeira Cabral, o ministro da Economia, congratulou-se com o facto de "Portugal ser dos países da Europa com maior redução do desemprego e o segundo país da Europa em termos de taxa de criação de novos empregos"..Mas, pese embora "alguma melhoria" no mercado do trabalho, a CGTP alerta que ainda há "524 mil pessoas desempregadas em termos oficiais, a maioria das quais sem qualquer proteção no desemprego". E que "considerando desencorajados, inativos indisponíveis, subempregados e ocupados em contratos emprego-inserção ou estágios, o número real de desempregados e subempregados é superior a um milhão, correspondendo a uma taxa real de desemprego e subocupação de cerca de 19%".