O Concelho Económico e Social (CES) alerta para os riscos elevados de concretização e de conciliação do cenário macroeconómico apresentado na proposta de Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) com os objetivos de consolidação orçamental.."Alguns dos pressupostos para a elaboração do cenário macroeconómico apresentam riscos elevados de concretização e de compatibilização com os objetivos de consolidação orçamental, nomeadamente, no que se refere aos saldos das contas públicas e à evolução da dívida pública", refere um projeto de parecer do CES..De acordo com a primeira versão do parecer do CES sobre o OE2016, ao qual a Lusa teve acesso, a coerência dos indicadores macroeconómicos "não oferece necessariamente dúvidas do ponto de vista técnico", mas alguns dos seus pressupostos precisam de ser justificados..O documento de trabalho, que vai ser discutido na quarta-feira na Comissão Especializada de Política Económico e Social (CEPES), o CES adverte que a proposta de OE2016 "não apresenta linhas orientadoras sobre a política de crédito e de poupança, seja para as famílias, seja para as empresas, e muito menos sobre o futuro da eventual apropriação da banca portuguesa por entidades estrangeiras, o que poderá agravar as condições de financiamento dos agentes económicos em Portugal"..O CES considera que a evolução do consumo público não está devidamente justificada no OE2016, tendo em conta o objetivo de contenção, nomeadamente, nos consumos intermédios com uma taxa de crescimento de 8,6%.."Também não é percetível a razão para o crescimento de 1,1% nas prestações sociais, tendo em conta o anunciado reforço das políticas de coesão social. É ainda menos compreensível a diminuição acentuada do investimento público em 5,6%, tendo em consideração as necessárias contrapartidas nacionais para muitos dos investimentos financiados pelos fundos comunitários", assinala o documento..Na sua primeira versão do parecer, o CES reconhece a justiça das reposições dos salários dos funcionários públicos, mas alerta para a necessidade de serem ajustadas as medidas de financiamento e de organização (modernização administrativa), de forma a não porem em perigo no futuro os salários e o emprego na Administração Pública..O CES adverte ainda que a evolução da dívida pública é considerada "a maior restrição ao desenvolvimento do país no médio e longo prazos" e alerta para o risco inerente à subida da taxa de juro face à volatilidade dos mercados financeiros..A proposta de OE2016 prevê uma redução do défice de 4,3% em 2015 para 2,2% em 2016. A dívida pública deverá atingir os 127,7% do PIB em 2016..Segundo o documento, a economia portuguesa deverá crescer 1,8% em 2016, depois de ter registado um crescimento de 1,5% no ano passado.