São Silvestre. São quase 50 mas só três no último dia do ano

As mais emblemáticas são as de Lisboa, Porto e Amadora e o calendário estende-se até 2 de janeiro
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A tradição já não é o que era. Até há alguns anos, as corridas de São Silvestre em Portugal disputavam-se na noite de fim de ano, mas com o aumento das provas do género o calendário estendeu-se. Atualmente são quase 50, espalhadas por todo o país, não havendo um número exato fornecido pela Federação Portuguesa de Atletismo porque algumas não são consideradas oficiais. E muitas realizam-se durante o dia e não de noite.

A primeira deste ano de 2015 aconteceu a 28 de novembro, em Aveiro. As últimas, já em 2016, serão a 2 de janeiro, em Santa Marta de Portuzelo (Viana do Castelo), Aveiro e Esmeriz (Vila Nova de Famalicão). Todas elas com a habitual extensão de aproximadamente dez quilómetros.

Jorge Vieira, presidente da Fe-deração Portuguesa de Atletismo (FPA), justifica este espaçamento no tempo com o grande número de provas. "Seria impossível concentrar todas no último dia do ano. Aliás, se isso acontecesse, muitas corridas perderiam a sua dimensão. Por outro lado, esta dispersão permite que haja várias pessoas a participar em mais do que uma São Silvestre", referiu ao DN.

A primeira São Silvestre da história nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1925, organizada pelo jornalista Cásper Líbero, e foi inspirada numa corrida noturna realizada em França, na qual os corredores carregavam tochas.

Bragança é neste momento o único distrito de Portugal que não tem esta tradicional corrida de fim de ano, destacando-se três como as mais importantes: Amadora, a mais antiga, realizada desde 1975 e uma das poucas que se mantêm a 31 de dezembro, juntamente com as da Covilhã e de Pinhel; Lisboa e Porto, juntando ambas 12 mil participantes (na capital 3500 são mulheres) e agendadas, respetivamente, para 26 e 27 de dezembro.

Jorge Vieira regista com agrado este boom nas corridas de fim de ano. "Vejo esta situação com muita satisfação e não estranharei que o número continue a aumentar nos próximos anos. São provas de grande prestígio e tradição e mostram que as pessoas estão cada vez mais interessadas num desporto que faz bem à saúde e que é mais barato do que quase todos os outros, pois para correr basta uma T-shirt e uns ténis", sublinha. Atenção, no entanto, pois se quiser participar nas São Silvestre terá de pagar. Para a de Lisboa os preços oscilaram entre os dez euros (inscrições enviadas até 20 de setembro) e os 20 euros (entre 22 e 26 de dezembro).

Apesar de satisfeito com o aumento do número de provas, Jorge Vieira adverte para a falta de qualidade de algumas destas corridas: "Nem todas são organizadas por pessoas conhecedoras do meio e depois surgem algumas dificuldades e coisas que não decorrem a 100%. Mas acredito que a generalidade das provas vai decorrer dentro da normalidade."

O presidente da FPA mostra particular predileção pela São Silvestre da Amadora, "a mais antiga do género mas infelizmente já não a de maior impacto, tendo perdido alguma força ao longo dos últimos anos". A de maior destaque é sem dúvida a de Lisboa, que merece a classificação máxima (cinco estrelas) atribuída pela Associação Europeia de Atletismo. "Para além de estar organizada de forma perfeita, destaca-se pelo impacto estético, com os atletas a terem a possibilidade de correr na fantástica Avenida da Liberdade, toda iluminada."

Lisboa com nomes sonantes

Novidade da oitava edição da prova lisboeta será o Hino Nacional, cantado à capela pela banda portuguesa Anjos. Como habitualmente, no sábado haverá o tradicional desafio Homens vs. Mulheres (o sexo feminino parte com 2,23 minutos de vantagem) e, nesta edição, um duelo Benfica-Sporting, na Taça HMS Sports, para eleger a melhor equipa composta por três homens e três mulheres, numa competição aberta à elite e ao pelotão. Já os mais novos (entre os 5 e os 13 anos) poderão participar na São Silvestre da Pequenada, a partir das 16.00, uma hora e meia antes do início da prova principal.

Como seria de esperar, será na São Silvestre de Lisboa que irão concentrar-se muitos dos principais nomes do atletismo nacional, como Rui Silva, Armando Ferreira, Ricardo Ribas, Dulce Félix, Jéssica Augusto, Filomena Costa, entre outros. Mas Jorge Vieira prefere destacar a matriz popular da prova, com a participação de milhares de desconhecidos, unidos pela paixão da corrida. "O que estas provas têm de especial é possibilitar que surjam pessoas de diferentes níveis: os que querem correr rápido, a média velocidade ou apenas caminhar", salienta, deixando um conselho para que "as pessoas não cometam exageros quando não têm capacidade ou idade para correr tanto".

De resto, está em curso o Programa Nacional de Marcha e Corrida, que visa apoiar os portugueses a correrem melhor, com sessões abertas a todos que, para já, decorrem apenas em Lisboa, mais concretamente na Pista B do Estádio Nacional e na Pista Mário Moniz Pereira, no Alto do Lumiar. Todas as informações sobre os horários estão presentes no site oficial.

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