Leoas de juba levantada indicam o caminho de sucesso na bola oval

Primeiro título nacional da história do Sporting na modalidade foi conquistado pela amadora equipa feminina de sevens, que terminou com o reinado do arquirrival Benfica

Não deixa de ser irónico que após uma época na qual o Sporting tanto investiu, não só no futebol como também nas modalidades ditas de alta competição, que o primeiro título leonino da temporada em modalidades coletivas tenha sido conseguido por um grupo de raparigas, totalmente amadoras, e que ainda por cima praticam um desporto considerado duro, violento e habitualmente associado a homens: o râguebi, neste caso na variante de sevens, única que se disputa no nosso país. E para tornar esta conquista ainda mais impactante em Alvalade, a vitória terminou com o reinado do arquirrival Benfica que vencera os últimos quatro títulos, um celebrado tetra...

Tendo fechado portas em 1964, a bola oval regressou ao reino dos leões em 2012, mas na época passada, face aos fracos resultados obtidos e pouco condizentes com os objetivos do clube, a direção de Bruno de Carvalho decidiu encerrar o setor masculino - mantém apenas escalões de formação (sub-8 aos sub-18) numa espécie de serviço à comunidade - passando contudo a contar com uma equipa feminina, que deu agora o primeiro título nacional de râguebi na história do Sporting. Curiosamente, durante a época, a equipa partilhou o relvado, em parte dos treinos, com o campeão nacional masculino, o CDUL.

"O núcleo duro veio do CR Técnico", revela o diretor de râguebi leonino, Rafael Lucas Pereira, "pois na sua maioria eram todas sportinguistas e contactaram-me dizendo que, por incompatibilidade total, iam abandonar as Olaias."

No início da temporada a modalidade passou a ser considerada oficial no clube e com este estatuto as diferenças começaram a sentir-se: "As atletas passaram a ter acesso ao gabinete clínico de alto rendimento do Sporting e à sua nutricionista, sendo ainda possível pagar o passe às jogadoras que vivem fora de Lisboa. Garantimos também uma casa comum às que vieram para cá estudar. Todo este apoio tem tradução financeira e mesmo a nível dos homens acho que poucos clubes darão condições idênticas a estas em Portugal", conclui.

Se por cá a modalidade no feminino ainda está só a gatinhar - ao contrário de outros países, como a vizinha Espanha, onde o desenvolvimento tem sido enorme, e recorda-se que este ano vai decorrer em agosto, na Irlanda, a 8.ª edição do Mundial -, a aposta no râguebi de XV é estratégica. "Apesar do enorme êxito dos sevens nos JO do Brasil de 2016, para nós, enquanto marca Sporting, é fundamental termos râguebi de XV", afirma o dirigente.

"Em fevereiro fomos jogar a Perpignan contra a USAP (uma referência que representa para a Catalunha francesa o que o Barcelona é para a Catalunha espanhola), que vencemos surpreendentemente (17-12) num jogo que teve grande impacto por lá. Também já abordámos o Pozuelo de Madrid, atual campeão espanhol, para no fim do ano podermos realizar a primeira edição da Taça Ibérica feminina. Estamos a avaliar junto da Federação Portuguesa de Râguebi a possibilidade de podermos disputar a Liga espanhola e no caso de surgir uma competição europeia de clubes, o Sporting quer estar presente."

Para Nuno Mourão - ex-internacional português em 36 ocasiões e anterior treinador do Técnico (dos juvenis aos seniores) e das meninas do Benfica - treinar esta equipa tem sido gratificante. "Notou-se muito a passagem a modalidade oficial, pois a relação com o clube foi fortalecida. As jogadoras sentiram que havia agora uma estrutura por trás a ampará-las, em especial num aspeto a que elas dão muita importância, o apoio de uma nutricionista."

Com a realização de um estágio de início da época na Academia de Alcochete que foi importante para juntar o grupo, "o nível da equipa subiu muito, pois elevámos a intensidade dos treinos com as cargas físicas e técnicas a serem bem superiores. Cada jogadora tem também um plano de treino individualizado. Ganhámos uma dinâmica vitoriosa e sabíamos que se não fosse este ano seria no próximo. A trabalhar como estávamos a trabalhar, o sucesso tinha de surgir", sintetiza o técnico.

E como é trabalhar com elas? "É diferente de treinar homens. É semelhante em termos técnicos ou táticos mas a sensibilidade e o trato têm de ser obrigatoriamente diferentes. Elas exigem que se explique melhor as coisas e, por exemplo, cada jogadora que chega de novo obriga a um acompanhamento mais próximo. Mas empenham-se imenso nos treinos, são todas supercompetitivas e até muito críticas com elas próprias."

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Desporto
Pub
Pub