O Benfica conseguiu ontem um milagroso empate no Dragão (1-1), com um golo caído do céu já no período de descontos, igualando um jogo em que mereceu largamente perder, porque o FC Porto foi muito melhor e sobretudo o tricampeão foi muito fraquinho. Mantém-se assim a diferença de cinco pontos depois de um clássico em que quase só houve uma equipa em campo em termos de jogo e de oportunidades de golo..Diogo Jota tinha marcado aos 50", num golo quase da linha de fundo e com Nélson Semedo pela frente - Ederson foi mal batido no lance. O Benfica empatou por Lisandro num lance caricato: Herrera tinha a bola junto à lateral e tentou ganhar pontapé de baliza chutando com força contra Eliseu - só que não acertou no defesa do Benfica e foi canto. Bola para André Horta que cruzou e Lisandro ao segundo poste cabeceou para a rede lateral interna do outro lado. Era o minuto 90"+2. O Benfica acabava por ter a sorte do jogo porque fez uma exibição ao nível do início da época passada - muito frágil. Mas empatou, também porque o FC Porto não soube ser agressivo no ataque na parte final, já que as substituições foram feitas para defender, com medo de outro Benfica, que nunca apareceu..Nuno Espírito Santo mudou a sua asa direita (jogou com Maxi--Corona, Layún e Herrera no banco) mas sobretudo desfez o sistema tático e apostou numa coisa parecida com um 4-3-3, com Otávio como n.º 10, Corona e Jota nas faixas e André Silva como 9. De resto apostava na forma habitual de não elaborar muito, com passes rápidos nas costas dos defesas. Além disso conseguiu que a equipa jogasse bem mais à frente, pelo que os seus homens ganharam muitas bolas no meio-campo adversário criando de imediato perigo..Foi com alguma sorte que o Benfica chegou ao intervalo sem sofrer golos e porque Ederson foi enorme em mais do que uma ocasião. Numa delas até acabou a vomitar atrás da baliza, depois da primeira bola de golo do FC Porto em que Corona apareceu para um cruzamento de Jota da esquerda, mas o guarda-redes conseguiu ainda defender a bola (14")... com a garganta. Houve mais - Corona isolado não conseguiu levantar a bola e Ederson saiu bem, remate de André Silva a centímetros do alvo, enquanto o Benfica tinha conseguido criar perigo num canto em que Lindelöf e Felipe levaram a bola a roçar no poste da baliza de Casillas. Ontem sim, creio que Nuno ficou perto da verdadeira equipa - com Corona e sem Herrera, que ainda por cima acabou ligado ao empate..Logo a seguir saía Luisão, sem se perceber onde é que se tinha lesionado (entrou Lisandro) mas havia uma enorme diferença entre a determinação de uns e o relaxamento de outros, entre uma equipa virada para a frente e outra que parecia vir passear os galões. Por pouco não lhe saiu caro, mas inevitavelmente se vai falar agora das lesões - porque não há hipótese de, nestes jogos, se ter o mesmo nível sem os bons jogadores. O problema é que mesmo alguns dos melhores foram dos piores - Salvio, Gonçalo Guedes, Eliseu compreensivelmente, Mitroglou. Mais ainda, desde o início que se percebia que havia ordens para o guarda-redes bater a bola para o mais longe possível à procura de Mitroglou, algo que deu coisas estranhíssimas....O FC Porto marcou cedo na segunda parte, por Jota, numa boa iniciativa de Corona, e esteve perto do 2-0 várias vezes - um livre de Alex Telles, uma jogada de Jota, enquanto o Benfica tinha tido apenas um tiro de Samaris que Iker Casillas defendera por cima da barra. E quando já nada havia a fazer, apareceu o golo do empate caído do céu, injusto até pelo que o Benfica não fez..O empate no Dragão, porém, colocou um ponto final na série de vitórias que o Benfica acumulava no campeonato em jogos fora de casa e que é um recorde da história do clube - 16. Mas a igualdade a um golo no Dragão, da forma como aconteceu nos descontos, acabou por ter um sabor a vitória.