Fernando Santos admite que colocou Portugal a "jogar para o empate", ontem, nos instantes finais do jogo com a Hungria. Um resultado que permitia a qualificação, mesmo arriscando terminar em segundo lugar no Grupo F e ficar alojado na metade teoricamente mais difícil do quadro de jogos que dão acesso à final - situação que apenas foi evitada quando a Islândia marcou o golo da vitória frente à Áustria (2-1) no último lance da partida, atirando Portugal para o terceiro lugar e para um duelo com a Croácia nos oitavos de final.."Há que realçar a qualificação porque esse era o primeiro objetivo. A partir dos 80 e poucos minutos, eles não quiseram jogar mais. Ainda fomos lá tentar roubar a bola, evitar que o guarda-redes perdesse tempo, mas eu próprio queria um pássaro na mão e não dois a voar. Não estou maluco! Foi por isso que entrou Danilo", explicou o selecionador na flash interview da RTP1, lembrando que "era preciso ter cabeça"..Santos reforçou depois a ideia de que o importante foi passar: "Num campeonato nacional só é válido ficar em 1.º. No Europeu e no Mundial, não é assim. (...) Não interessa se é 2.º ou 3.º. As três equipas são apuradas. São contextos completamente distintos.".Mas, acabou por confessar que preferia passar em primeiro. "Se queríamos ter ficado em 1.º e ganho os jogos todos? Claro que sim, mas o primeiro objetivo está alcançado. Nos oitavos-de-final teremos outra partida e vamos jogar para ganhar", afirmou o técnico nacional, desvalorizando o facto de a seleção não ter ganho qualquer jogo na fase de grupo: "Tivemos dois jogos bem conseguidos. Tirando estes três golos sofridos, que é a primeira vez, nos outros jogos tivemos pouca sorte. E estes golos da Hungria foram de ressaltos, enquanto nós tivemos muitas oportunidades.".Quanto aos golos de Ronaldo, foram importantes, enaltece. "Mesmo na altura em que foi preciso mudar um pouco a forma de jogar, Ronaldo respondeu sempre presente, e é sempre importante quando tens o capitão contigo, principalmente um capitão como este, que vale muitos golos", elogiou o selecionador, rematando: "O Cristiano é um ganhador e um homem de fazer golos. Um avançado como Cristiano sem golos é como se não tivesse nada para comer. Ele alimenta-se de golos. Isto aumenta-lhe a confiança.".Agora venha a Croácia. E nesse o empate não serve. "Temos de trabalhar, pensar e há coisas a retificar já para o jogo com a Croácia. Nos espaços interiores estivemos muito bem, tivemos oportunidades de golo. Há que pegar no que fizemos bem noutros jogos, com o que fizemos bem neste e tentar chegar à final", defendeu o selecionador, à espera de "um grande jogo"..Na opinião do treinador português, o adversário dos oitavos "é uma excelente equipa". "A Croácia ficou em primeiro no grupo da Espanha. Sempre disse que havia um conjunto de duas ou três equipas que partiam como favoritas, e depois havia outro com ambições de chegar longe, e a Croácia é uma delas pela qualidade dos seus jogadores. Uma das equipas ficará pelo caminho e esperemos que não seja Portugal.".Por esclarecer ficou o que tinha escrito o papel que enviou a Ronaldo, via Eliseu, durante o jogo..Já Bernd Storck, selecionador da Hungria, gostou da exibição da sua equipa e também se mostrou apreciador de CR7. "Sabemos que o Cristiano Ronaldo é um jogador de classe mundial e nem sempre é possível controlá-lo. É um jogador que pode marcar a qualquer momento. Quando há jogadores daquele calibre, acontecem golos", disse Storck..Questionado sobre os últimos momentos do jogo, em que as duas equipas praticamente deixaram de jogar à espera do apito final, passou a questão para o lado português: "Não sabia o resultado do outro jogo [entre Islândia e Áustria]. Não queríamos correr riscos no tempo de compensação, mas, até essa altura, jogámos sempre para a frente. Se Portugal não quis jogar nos últimos 10 minutos, a culpa não é minha."