"Já avisei a minha família de que só volto no dia 11 e serei recebido em festa"

Fernando Santos voltou a falar duas vezes no dia a seguir a um jogo. E abordou quase tudo, até avaliações individuais de jogadores

Fernando Santos continua a alimentar a ambição de ser campeão europeu. Demonstra-o mas vai mostrando, aqui e ali, algum receio por não conseguir passar a fase de grupos. Por isso vai alertando sobre a especificidade do encontro com a Hungria, um jogo que garante que Portugal vai ganhar, sob pena de ter de fazer as malas. Mas como está otimista, já disse à família que só volta a partir de 11 de julho. O DN resume as linhas das ideias fortes do selecionador, que ontem recebeu os jornalistas portugueses para uma conversa de microfones ligados e depois deslocou-se à conferência de imprensa.

Ronaldo e a ansiedade

No que toca ao capitão, Santos reconhece que a ansiedade do avançado está a estender-se à equipa, mas tem esperança de que ultrapasse uma fase que não é nova.

"Nem dorme. Acho que foi o primeiro a acordar, só não acordou primeiro do que eu. O Cristiano é um devorador, um ganhador e sabe reagir. Pode estar um ou dois jogos sem faturar e depois passa a fatura toda. É normal que depois de um jogo em que não marcou, com as oportunidades que teve, esteja mais abatido. Quando fui treinador dele no Sporting um mês, disse-lhe que tinha dificuldades a jogar de cabeça. No dia a seguir ele estava lá com dez gajos a passarem-lhe a bola e a cabecear. Ele sabe que tem todos os focos virados para ele e é natural que haja ansiedade, o que acaba por interferir na equipa. Mas vai resolver este problema. Não é a primeira vez. Esta época teve um período em que não marcava e todos diziam que já não era o mesmo, mas de repente marcou cinco."

Livres e penáltis

O penálti marcado por Ronaldo e os dois livres ao jeito de Raphael Guerreiro que o capitão cobrou motivaram uma resposta taxativa de Fernando Santos: "O Cristiano é o marcador prioritário de livres e se existir outro penálti quem marca é ele. Vai marcar, nem que seja com os dois pés ao mesmo tempo. Nos livres diretos por alguma razão estão sempre o Ronaldo e o Raphael junto à bola. Nestes lances entra a inspiração. Se o Raphael não tivesse marcado à Noruega ninguém falava."

João Moutinho

Em seguida, o selecionador, ao contrário do que tem vindo a fazer, falou especificamente de alguns futebolistas. Comecemos pelo médio do Mónaco.

"O João fez um jogo fantástico [com a Áustria]. Foi o jogador com mais passes de rutura. Dele esperamos sempre muito. Tem vindo a subir, o que é normal, porque nos últimos tempos no Mónaco teve problemas e só jogou dois jogos, ambos incompletos. É um jogador muito importante, mas não quer dizer que seja ele e mais dez."

André Gomes

"O André fez um jogo fantástico. A partir dos 60/70 minutos faltou alguma frescura física, até porque ele e o Moutinho tiveram um grande volume de jogo. O setor mais poderoso da Áustria, o meio-campo, tem lá um rapazinho que joga no Bayern, o Alaba, que nem parecia um jogador de futebol, culpa do André, do Moutinho e do William."

Danilo e William

"O Danilo esteve muito bem com a Islândia, mas entendi que o William fazia mais sentido com a Áustria. Jogam na mesma posição, mas claramente diferentes. O William correspondeu espetacularmente ao que esperava e cumpriu em absoluto o que lhe pedi."

Renato e João Mário

"O Renato entrou bem com a Islândia, mas pareceu-me que havia outras soluções para este jogo. É um jogador com quem conto. Taticamente o João Mário joga como no Sporting, tem grande qualidade e é tecnicamente forte. Está a acusar um pouco toda a época que fez. Sente-se alguma falta de frescura de mobilidade e de velocidade."

Contas do grupo

Sempre o triste fado de termos como amiga a máquina calculadora. Eis o raciocínio de Fernando Santos, engenheiro de formação.

"Dependemos só de nós. Portugal é favorito e qualquer uma das outras seleções pode passar. Este grupo está aberto. A Hungria está privilegiada, já que no mínimo tem o 3.º lugar garantido. Primeira não será, porque acredito que vai ser Portugal. O que acredito mesmo é que Portugal se vai apurar."

Ineficácia, sorte e azar

Não viu ainda muitas equipas serem superiores a Portugal e atribui relevância à má finalização.

"Há alguma falta de eficácia, não se pode falar apenas de azar. Não tenho visto muitas equipas a jogar melhor do que nós. Têm é tido um grau de eficácia superior. Não gosto de falar de sorte ou azar. Não se pode definir o jogo assim. Às vezes é galo. Se pensarmos só na exibição, Portugal esteve muito bem, com a falha de não ter finalizado."

Mata-mata com a Hungria

O que pensa Fernando Santos sobre o que Portugal ainda pode fazer neste Euro.

"No fim do jogo disse aos jogadores que "OK, não ganhámos, mas dependemos de nós." E quando eles se reunirem ao jantar vou-lhes transmitir que ou ganhamos ou fazemos as malas. Mas digo aos portugueses que vamos ter jogo no dia 26 ou 27 [oitavos-de-final] e já avisei a minha família de que só regresso no dia 11 de julho e serei recebido em festa. Como dizia o Scolari, é mata-mata. Vão ser 11 contra 11 e no final vai ganhar Portugal, mas sabemos que um ponto para a Hungria é suficiente."

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