Falta superar a besta negra

Já é conhecido o último obstáculo de Portugal para conquistar o Campeonato da Europa: est la France, histórica<em> bête noire</em> da seleção nacional. Contra o lusodescendente Griezmann, os portugueses vão tentar vingar 1984, 2000 e 2006
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É fácil desfiar memórias traumáticas: a reviravolta de Domergue e Platini nos minutos finais do prolongamento (23 de junho de 1984): o polémico "golo de ouro", de penálti, marcado por Zidane, por mão de Abel Xavier (28 de junho de 2000); e outra grande penalidade de Zidane, a matar cedo as esperanças portuguesas (5 de julho de 2006). Difícil é superá-las: é essa a missão da seleção nacional para domingo - 20.00, no Stade de France, em Saint-Denis, Paris -, diante da sua bête noire (besta negra). Sim, a anfitriã França venceu ontem a Alemanha, por 2-0, e será a rival de Portugal na final do Campeonato da Europa.

Foi lá, em Saint-Denis, diante da França - num particular, em outubro de 2015 - que começou a caminhada de Fernando Santos ao comando de Portugal; e é ali, no regresso ao ponto de partida, que o treinador pode levar a "equipa das quinas" ao melhor momento da história. Mais: é ali, destroçando os sonhos do país-anfitrião, que a seleção pode, por fim, esquecer a mágoa do título europeu perdido em casa em 2004. No entanto, para consegui-lo, terá de superar um dos rivais mais traumáticos de sempre.

A França não é só o adversário que deixou Portugal pelo caminho, de forma bastante dolorosa, em três semi-finais (Euro 1984, Euro 2000 e Mundial 2006). É a equipa à qual a seleção nacional não ganha desde 1975 (0-2 em Colombes, Paris, com golos de Nené e Marinho). Em 24 encontros (21 particulares), os portugueses só venceram cinco e empataram um. E os dois amigáveis do trajeto até ao Euro 2016 acabaram com triunfos gauleses: 2-1 em Saint-Denis, com golos de Benzema, Pogba e Quaresma; 0-1 em Alvalade, marcou Valbuena.

No domingo, Benzema e Valbuena (excluídos da convocatória para o Euro, por envolvimento num caso de chantagem) não serão ameaça para Portugal. No entanto, além de Pogba, estrela bleu e da Juventus, há muitas figuras de topo na equipa gaulesa: da baliza (o capitão Hugo Lloris) à frente de ataque (Antoine Griezmann).

O avançado do Atlético de Madrid é o melhor marcador do Euro 2016, com seis golos - a França tem o melhor ataque da competição (13 marcados, 2,17 por jogo). E representa - como os lusos Adrien Silva, Anthony Lopes e Raphaël Guerreiro, nascidos em terras francesas - os fortes laços que existem entre os dois rivais da final, fruto da emigração portuguesa: Griezmann é neto de Amaro Lopes, um antigo defesa do Paços de Ferreira, que emigrou para França no final da década de 1950.

Todavia, domingo, com Portugal à procura do seu primeiro título sénior e a França do regresso ao topo (após as conquistas dos Europeus de 1984 e 2000 e do Mundial de 1998), não há tempo para sentimentalismos. "Falta um jogo para terminarmos com chave de ouro mas vai ser muito complicado. Espero que não seja o fim de nada", dizia ontem Griezmann. Agora, a vingança de 1984, 2000 e 2006 está nas mãos de CR7 e companhia.

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