Um conto do absurdo em tom romeno

"Tesouro", de Corneliu Porumboiu
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Em anos recentes, o mercado português tem-nos permitido perceber que existe na Roménia todo um cinema que, de facto, possui um elaborado programa de trabalho para lidar com o presente e o passado do seu país. Exemplos significativos: o drama 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (2007), de Cristian Mungiu (Palma de Ouro no Festival de Cannes) e o documentário Autobiografia de Nicolae Ceausescu (2010), de Andrei Ujica. Corneliu Porumboiu - que já foi objeto de uma retrospectiva no Curtas de Vila do Conde - é outro nome fundamental nesse contexto, tendo assinado títulos como 12:08 A Este de Bucareste (2006) ou Quando a Noite Cai em Bucareste ou Metabolismo (2013).

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Tesouro, revelado na secção "Un Certain Regard" (Cannes/2015), exemplifica o seu gosto pelo humor mais absurdo, encenando as atribulações de um homem que mobiliza um amigo para encontrar um tesouro esquecido no jardim de uma casa rural... Com um sentido exemplar do pormenor burlesco, Porumboiu permanece, afinal, fiel ao seu contundente realismo.

Classificação: ***

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