Sozinhos e aborrecidos algures no espaço

Passageiros, com Jennifer Lawrence e Chris Pratt, ou a ficção científica para adultos mas que é embalada para adolescentes
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O projeto Adão e Eva do futuro era até há uns tempos o prato mais quente de Hollywood. O tal filme de 150 milhões de dólares com diretor na berra (Morten Tyldum, norueguês responsável por O Jogo da Imitação), conceito de sci-fi todo pimpão e as duas estrelas que mais agradam aos jovens americanos: Jennifer Lawrence e Chris Pratt. A Sony chegou a fazer uma espécie de pré-sedução para a temporada dos prémios, embora cedo se percebesse que Passageiros não seria um novo Perdido em Marte ou Gravidade.

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O problema agora depois de críticas muito demolidoras e de um hype nada positivo é perceber como se portará nas bilheteiras americanas. Nas primeiras sessões de preview ficou atrás da concorrência, nomeadamente as estreias de Cantar! e Assassin"s Creed.

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A história passa-se a bordo de uma nave espacial, a Avalon, onde viajam cinco mil pessoas a caminho de um novo planeta. Depois de uma colisão com um asteroide, dá-se uma avaria numa das cápsulas de hibernação e um mecânico de trinta e poucos anos acorda 90 anos antes do tempo previsto. De repente, percebe que está sozinho naquela imensa nave. Sem nunca haver um golpe de argumento com boa justificação, decide acordar uma jovem para lhe fazer companhia, uma escritora e jornalista idealista. Passado um tempo, o inevitável acontece: apaixonam-se. Mas a dada altura, há outra pessoa a despertar e o filme muda para o registo de thriller às três pancadas. Aliás, nota-se que o argumento está cheio de crateras, não sendo por acaso que o capitão da nave, interpretado por Andy Garcia, se limita a aparecer num plano sem abrir a boca. Coisas estranhas num filme em que a única mais-valia é a energia de Pratt e Lawrence.

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