Retrato de um herói americano

Milagre no Rio Hudson, Clint Eastwood
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Clint Eastwood tem vindo a fazer um trabalho cada vez mais persistente de retratar a América através de biografias que, sobretudo nos dois filmes mais recentes - Sniper Americano (2014) e este Milagre no Rio Hudson - resultam numa consagração transparente do heroísmo nacional. Chesley Sullenberger, o piloto que em 2009, numa emergência, evitou a tragédia ao dirigir um avião da US Airways para o rio Hudson, é desta vez o homem que se agiganta no ecrã, com o feito extraordinário de ter protegido 155 almas. Quem lhe dá rosto e presença? Tom Hanks, naquela que será uma das suas melhores composições dos últimos tempos, a par com o advogado que interpretou em A Ponte dos Espiões, de Spielberg.

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Milagre no Rio Hudson tem, desde logo, o admirável mérito de fugir à simples réplica dos acontecimentos, pintada com efeitos de cinema de ação - tal como um realizador menos talentoso faria. Eastwood, por sua vez, dá-nos um filme de arrepiante assertividade, que viaja no tempo conforme os tormentos que habitam o protagonista, esse herói sempre à beira das lágrimas, que as segura como um comando.

Classificação: **** Muito Bom

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