O homem mais rico da China partiu à conquista de Hollywood

Wang Jianlin

Wang Jianlin prepara-se para comprar a Legendary, uma das mais rentáveis produtoras do cinema americano.

Coloquemo-nos na pele de Wang Jianlin, o homem mais rico da China (e uma das cem pessoas mais poderosas do mundo, na posição 68, de acordo com as contas da revista Forbes), para compreender o seu próximo projeto: comprar uma produtora de Hollywood?

E, se tem todo aquele dinheiro e gosta de cinema, porque não adquirir uma produtora que seja responsável por filmes de que o milionário gosta e que tenham feito sucesso na China? Não há razão para não o fazer e Jianlin, que vale mais de 25 mil milhões de euros (outra vez a Forbes, claro), está bem lançado para ser o novo dono da Legendary Entertainment, a casa de filmes como Mundo Jurássico, a mais recente trilogia de Batman ou os capítulos de A Ressaca.

As informações publicadas pela Reuters e pelo jornal L.A. Times falam num negócio que deverá estar entre os três e os quatro mil milhões de dólares. Mesmo que seja esse o valor, não deve haver problema algum para Jianlin. O maior dos bilionários chineses é o número um do Dalian Wanda, um grupo que tem feito fortuna sobretudo através do investimento imobiliário: centros comerciais, hotéis de luxo, torres de escritórios e apartamentos e salas de cinema.

Aliás, o último negócio mediático do Dalian Wanda fora do território chinês foi a aquisição dos cinemas AMC, a segunda maior rede da América do Norte, apenas superada pela Regal Entertainment (ambas têm mais de cinco mil salas naquela região do mundo). E esse foi o negócio que transformou Jianlin no maior proprietário de ecrãs em todo o mundo.

A concretizar-se esta compra nesta semana, será a primeira participação chinesa em Hollywood com tal dimensão, depois de co-produções em filmes e outros investimentos menores. Além de ser a entrada da China no cinema americano - não em produções mas em propriedade -, é também um dos exemplos raros de negócio entre a Ásia e Hollywood. A última vez que tal aconteceu - pelo menos com números e ambições desta categoria - foi em 1989, quando a Sony comprou a Columbia.

Não é por acaso que o negócio se dá com a Legendary. Este é o estúdio americano que assinou a produção do remake de Godzilla de 2014 e que já antes tinha lançado Batalha do Pacífico em 2013, dois filmes que foram enormes sucessos nas bilheteiras chinesas. Foi também com a Legendary Entertainment que a China Film Co., divisão do China Film Group, gerido pelo Estado, assinou um acordo de coprodução e distribuição que já levou às salas Seventh Son, no ano passado, e está prestes a revelar mais resultados.

A receita dos jogos de vídeo

Em junho, estreará Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos, adaptação para o cinema de um dos maiores sucessos recentes da indústria dos jogos de vídeo (com realização de Duncan Jones, filho de David Bowie e autor de Moon, de 2009). Também neste ano deverá estrear-se The Great Wall, com a história construída em volta de um mistério sobre a Grande Muralha da China. A realização é de Yimou Zhang (Hero, de 2002, e O Segredo dos Punhais Voadores, de 2004, por exemplo).

Wang Jianlin quer aproveitar esta relação para dar continuidade ao investimento do Dalian Wanda Group fora do imobiliário. O setor financeiro, o desporto (o grupo chinês tem 20% do Atlético de Madrid) e o entretenimento são os alvos prioritários das novas orientações de Jianlin.

O cinema é claramente uma prioridade. Se este interesse na Legendary não basta para o esclarecer, recorde-se outro grande investimento do Dalian: os Wanda Studios, que estão em construção em Qingdao. Também conhecidos como Metrópole Oriental do Cinema, estes estúdios têm sido descritos como os futuros "maiores do mundo" e a abertura está prevista para meados de 2017.

Para a Legendary, esta mudança de acionistas pode também ser proveitosa e representar uma maior margem de progressão e faturação, já que o potencial da bilheteira chinesa poderá ultrapassar o da norte-americana já em 2017. O interesse de Wang Jianlin na produtora criada em 2000 por Thomas Tull surge dois anos depois de ter falhado uma proposta de aquisição sobre a Lionsgate (das sagas Twilight ou Hunger Games, por exemplo), que acabou por não ser concretizada.

Depois do Japão e da Coreia do Sul, a China é o pais asiático que atualmente mais investe em Holly-wood. Os acordos de licenciamento de conteúdo feito nos EUA têm crescido nos últimos anos graças aos milhões dispensados por grupos como o Alibaba, o Tencent ou o Baidu (ligados sobretudo aos conteúdos e ao comércio online). E produtoras como a DreamWorks começam a dar maior uso global às sucursais na China - o terceiro capítulo do franchise Kung Fu Panda, por exemplo, está a ser desenvolvido pela Oriental Dreamworks, esclarecia recentemente a revista Fortune.

A carreira do ex-militar

Wang Jianlin tem 61 anos. Depois de 15 anos ao serviço do exército chinês desempenhou cargos de administração local, antes de assumir a direção do grupo Dalian Wanda em 1992. Um ano depois era CEO. É proprietário de mais de 20 milhões de metros quadrados em todo o mundo, incluindo 54 salas de karaoke na China. Os seus negócios envolvem vários parceiros e familiares de alguns dos políticos e líderes chineses mais influentes. Questões raramente abordadas pelo milionário.

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