"Não tenho qualquer perspetiva de programação para 2017", diz Pedro Lapa

Acordo entre a Fundação Berardo e o Estado sobre a coleção de arte moderna e contemporânea termina a 31 de dezembro de 2016 e ainda não está fechado. Pedro Lapa defende regresso de aquisições.

Estado e Fundação Berardo, em negociações desde julho, ainda não chegaram a acordo sobre os termos que em que a Coleção Berardo será mostrada em 2017. O atual acordo termina a 31 de dezembro deste ano. "Não tenho qualquer perspetiva de programação para 2017", disse aos jornalistas no final da visita de imprensa às duas novas exposições temporárias do museu.

"O acordo já devia estar resolvido há muito tempo", disse o diretor do Museu Berardo, Pedro Lapa, durante visita à exposição "Visualidade e Visão", que inaugura amanhã e cuja data oficial de fecho é 31 de dezembro, dia em que termina o acordo entre a fundação que gere a coleção de arte moderna e contemporânea do empresário Joe Berardo e o Estado.

Pedro Lapa, à frente do museu desde 2011, diz que não foi chamado à mesa das negociações, e diz não acreditar que não se venha a celebrar, mas o impasse impede a programação "desejável" para um museu. "O que é desejável é que seja feita com dois, três anos de antecipação, mas o que acontecia até agora é que em julho o conselho de administração nos dava uma previsão de orçamento, em setembro havia uma proposta para o ano seguinte a que o conselho de administração deve dar aprovação". Este cenário é pior este ano, já que não há sequer programação aprovada. "Estamos a fechar 2016 e não há programação para 2017".

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, afirmou que existe a intenção de conservar o acordo de comodato da coleção "mantendo uma posição construtiva de defesa do interesse do Estado" (declarações proferidas em junho durante a visita à Feira do Livro). Há uma semana, o empresário madeirense disse que as negociações "por enquanto, estão a correr bem".

O DN contactou o ministério da Cultura hoje, após as declarações de Pedro Lapa. "As negociações entre o Governo e a Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Coleção Berardo sobre a renovação do Protocolo de Comodato no Museu Berardo prosseguem com espírito construtivo de ambas as parte e tranquilidade. O Governo assumiu publicamente por diversas vezes a vontade de manter a coleção em Portugal e estamos a trabalhar com esse objetivo", respondeu o gabinete do ministro da Cultura. "Por outro lado, não comentamos declarações de quem não acompanha o processo", acrescentam.

Detalhes mais concretos sobre as negociações do protocolo de comodato das obras, como as razões por que não estão concluídas, quem está à frente do processo ou se está previsto um corte na verba que o Estado atribui à Fundação Coleção Berardo não tiveram resposta concreta por parte do Ministério da Cultura.

À coleção de 864 peças que se estabeleceu que seriam mostradas no espaço de exposições do Centro Cultural de Belém, juntaram-se outras 214 obras compradas ao abrigo do acordo. Algumas obras da coleção privada de Berardo também são mostradas. É o caso, a partir de amanhã, de duas séries de fotografias de José Luís Neto.

Este contrato, firmado pela então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima e Joe Berardo, previa a aquisição de obras de arte, a partir de uma orçamento de 500 mil euros que cada uma das partes se comprometia a usar para esse fim. Só aconteceu em 2007, ano de abertura do Museu Berardo, e 2008. "O Estado deixou de o fazer e o colecionador também", disse Pedro Lapa.

"O que seria desejável seria continuar a colecionar", afirma Pedro Lapa.

O Museu Berardo, de entrada gratuita, teve 823 mil visitantes em 2015, um número que segundo o Museu foi ultrapassado em outubro deste ano.

(Atualizado com a resposta do ministério da Cultura às 18:46)

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