Morreu a atriz francesa Emmanuelle Riva

Dois filmes sobressaem na sua carreira e foram filmados com mais de meio século de diferença: "Hiroshima, meu amor" e "Amor"

A atriz francesa Emmanuelle Riva, uma das caras da Nouvelle Vague do cinema francês, musa dos diretores Alain Resnais e Michael Haneke, morreu em Paris aos 89 anos.

A sua morte, na sexta-feira, aconteceu "na sequência de uma longa doença", anunciou hoje a família.

Dois filmes sobressaem na carreira de Emmanuelle Riva e foram filmados com mais de meio século de diferença: "Hiroshima, meu amor", de Alain Resnais, em 1959, e "Amor", de Michael Haneke, em 2012. Por este último foi agraciada com o César de melhor atriz e nomeada ao Óscar.

Em "Hiroshima, meu amor", "ela é única - é a primeira vez que se vê no ecrã uma mulher adulta com uma interioridade e um raciocínio levados a tal ponto", disse o crítico francês Doniol-Volcroze, sobre a personagem da atriz no filme de Resnais, numa mesa-redonda dos Cahiers du Cinema, reproduzida no catálogo da Cinemateca Portuguesa, dedicado ao realizador.

"A sua representação vai no sentido do filme. Trata-se de um enorme esforço de composição", disse o cineasta Jacques Rivette, no mesmo encontro, referindo-se à protagonista do filme, escrito por Marguerite Duras, uma reflexão sobre a guerra, 14 anos depois da explosão das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki.

"Até ao fim, [Emmanuelle Riva] manteve-se ativa", sublinhou a agente da atriz, Anne Alvares Correa, citada pela agência France-Presse. Alvares Correa lembrou a rodagem do filme "Paris Pieds nus", de Fiona Gordon e Dominique Abel, e "Alma", de Kristín Jóhannesdóttir, na Islândia, que deverá ser estreado em março, assim como o monólogo "Medusa suite", que Emmanuelle Riva interpretou na Vila Médicis, em Itália, no passado mês de novembro.

"Emmanuelle Riva era uma mulher emocionante, uma artista de uma exigência rara. É uma voz inesquecível que parte", disse a presidente do Centro Nacional de Cinema, de França, Frédérique Bredin, citada pela AFP.

Nascida como Paulette Germaine Riva, em 1927, a atriz somou uma carreira de quase 60 anos e a sua voz "marcou o teatro, o cinema, a televisão", trabalhou com Jean-Pierre Melville, André Cayatte, Marco Bellochio, Philippe Garrel.

Na década de 1990, destacam-se os papéis em "Loin du Brésil", de François-Louis Tilly, "Azul", de Krzysztof Kieslowski, e "Vénus Beauté", de Tonie Marshall.

O filme "Amor", em que desempenha uma mulher condenada pela doença - uma interpretação partilhada com Jean-Louis Trintignant - somou mais de uma centena de nomeações para prémios de cinema, em todo o mundo, e conquistou mais de 70 prémios, entre os quais 16 de Melhor Atriz, dos BAFTA e dos César, aos prémios da Academia Europeia de Cinema, da crítica, nos Estados Unidos, e de festivais em Itália, Brasil ou Reino Unido.

Em 2014, recebeu o Beaumarchais de Melhor Atriz de teatro pela interpretação em "Savannah Bay", de Marguerite Duras. "É uma grande alegria sentir que saímos de nós mesmos, para irmos não se sabe onde", disse Riva à AFP, sobre o trabalho como atriz.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Artes
Pub
Pub