Jada Pinkett Smith e Spike Lee vão boicotar os Óscares

A atriz Jada Pinkett-Smith na cerimónia dos Globos de Ouro

A atriz e o realizador anunciaram que não vão estar presentes na cerimónia, uma crítica assumida à falta de atores negros entre os nomeados

A atriz norte-americana Jada Pinkett Smith anunciou que vai boicotar a cerimónia dos Óscares: a mulher de Will Smith não vai estar presente nem ver os prémios da Academia. Tudo por que pelo segundo ano consecutivo nenhum ator negro foi nomeado nas categorias de representação. Não é a única: o realizador Spike Lee anunciou a mesma intenção esta segunda-feira.

A ausência de atrizes e atores negros ou latinos entre os 20 nomeados nas categorias de representação gerou críticas logo no dia em que as nomeações foram anunciadas, com o reaparecimento da hashtag #OscarsSoWhite, que nasceu o ano passado durante a noite de gala de entrega das estatuetas douradas.

E este ano algumas estrelas negras começaram a falar de boicote: Jada Pinkett Smith acabou por anunciá-lo no dia em que nos Estados Unidos se comemora o dia de Martin Luther King Jr., pioneiro dos direitos civis. Spike Lee fez o mesmo e diz que a escolha do dia não é coincidência. "Dr. King disse "Chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, nem política, nem popular, mas temos de tomá-la porque a nossa consciência nos diz que não está certo", escreveu Lee, numa carta divulgada hoje no Instagram. Para o realizador, a "verdadeira batalha", no entanto, é nos escritórios dos executivos de Hollywood, onde se decide o que recebe luz verde. "A verdade é que nós não estamos naquelas salas e até as minorias conquistarem o seu lugar os Óscares vão continuar branquinhos."

Num vídeo publicado na rede social Facebook, a atriz Jada Pinkett Smith explica que considera que a comunidade negra tem a responsabilidade de fazer a diferença. "Implorar reconhecimento, ou até pedir, diminui a nossa dignidade, diminui o nosso poder e nós somos um povo digno e poderoso."

Para Pinkett Smith, "a Academia tem o direito de reconhecer quem quiser, de convidar quem quiser", mas talvez seja altura de dar menos importância aos prémios "mainstream" e investir noutros projetos. "Talvez seja altura de tirarmos os nossos recursos e investirmos nas nossas comunidades e nos nossos programas".

A atriz diz ainda que não vai estar presente, nem sequer ver a cerimónia, mas deixa uma mensagem para o apresentador, o comediante Chris Rock - um humorista afro-americano conhecido por fazer muitas piadas sobre discriminação racial. "Não consigo pensar numa pessoa melhor para fazer o trabalho. Boa sorte."

Na sequência das nomeações, a própria presidente da Academia de Artes Cinematográficas, Cheryl Boone Isaacs, afro-americana, reconheceu a desilusão. "Claro que estou desiludida, mas isto não pode tirar a grandiosidade (dos filmes nomeados). Foi um ótimo ano no cinema. Nunca sabemos o que vai aparecer no papel até vermos", disse.

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