Nas vésperas do Natal de 2004, Polar Express, de Robert Zemeckis, surgiu como uma aposta renovadora no panorama cinematográfico da quadra festiva. Apesar de contar com Tom Hanks como cabeça de cartaz, a história de uma criança que viaja até ao polo norte, na expectativa de um encontro com o Pai Natal, tinha como verdadeira vedeta a tecnologia. De tal modo que entrou no Livro de Recordes do Guinness como o primeiro filme integralmente fabricado através do método de motion capture (por vezes referido como performance capture)..Que estava em jogo? A possibilidade de criar um universo de fantasia desenhada, não através da animação tradicional, mas sim começando por filmar com atores de carne e osso. Na prática, o motion capture envolve uma rodagem prévia com os intérpretes, a partir da qual se cria uma base de movimento e ação que, por sua vez, é sujeita a um tratamento característico de um desenho animado. Polar Express conseguiu um impacto comercial apenas mediano, mas abriu todo um novo capítulo expressivo que tem vindo a ser prolongado através de experiências como Beowulf (2007), também de Zemeckis, ou As Aventuras de Tintin (2011), de Steven Spielberg..Onde estão, então, os filmes de Natal? Pois bem, por mais que custe às boas almas, quase desapareceram. Desde logo, porque as televisões generalistas há muito reduziram o leque de propostas cinematográficas, aliás reforçando uma secundarização do cinema que, como é óbvio, está longe de se limitar à época natalícia. Depois, porque a lógica do mercado (por certo refletindo um abalo sociológico que valeria a pena analisar) tende a privilegiar outros produtos: neste ano, os trunfos principais de Hollywood são mesmo o regresso da saga Star Wars, e um western para adultos, The Hateful Eight, assinado por Quentin Tarantino..Leia a notícia completa na edição em papel ou e-paper do DN