Um crítico do Los Angeles Times decretara no ano passado que a "Mirga-mania" podia oficialmente começar e os observadores do meio já se referem a um efeito-Mirga. Mas o que é ou quem é "Mirga", perguntar-se-ão? Mirga é o nome próprio de uma maestrina lituana. O seu nome completo é Mirga Grazinyte-Tyla, mas por razões compreensíveis, depressa se está a tornar só Mirga..E o sururu à sua volta prende-se com facto de ter sido recentemente nomeada como a próxima titular da City of Birmingham Sym-phony Orchestra (CBSO), com um contrato inicial por três anos. A nomeação de uma mulher como titular de uma orquestra de primeira linha tem ainda o seu quê de raro. Agora, o que é mais inédito no caso de Mirga é que ela o consegue aos 29 anos. A combinação de país "exótico"+mulher+idade+notoriedade da orquestra é que produz com Mirga um cocktail surpreendente..[artigo:5086125].E é curioso que seja a Orquestra de Birmingham a fazer esta escolha: eles apostaram em Simon Rattle quando este tinha apenas 25 anos e, em 2007, nomearam um "vizinho de cima" de Mirga, o letão Andris Nelsons, que na altura tinha 28 anos - hoje, Nelsons é titular da Sinfónica de Boston, cargo a que juntará a chefia da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig!.Até agora, Mirga só dirigira a CBSO por duas vezes antes da nomeação! Portanto, o risco assumido continua lá, apenas sofreu um upgrade por agora ser uma mulher..De Vilnius para o mundo.Natural de Vilnius, Mirga vem de uma família de músicos, conquanto os pais desejassem para ela uma profissão mais "terra-a-terra". Mas o desejo da filha vergou-os: estudou direção coral e foi ainda a pensar em dirigir coros que foi fazer estudos superiores para a Áustria (Graz). Um dia, um professor lançou-lhe: "E se estudasses direção de orquestra?..." Mirga pensava que isso não era para ela, mas percebeu que o desafio era uma via que se lhe abria defronte e que talvez valesse a pena trilhar - esse tipo de raciocínio tem-na guiado, aliás, ao longo dos anos e com resultados, vê-se, muito gratificantes!.Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN