As melhores máquinas para fritar "com ar". E porque pode esquecer a ideia de que fazem cancro

Air Fryers: As máquinas que "fritam" a comida quase sem usar óleo parecem ter saído um pouco de moda com as "notícias" de que os alimentos ali cozinhados ficariam com substâncias cancerígenas. Algo que a ciência demonstra não ser verdade.

Fritar alimentos virtualmente sem óleo, de forma a que estes fiquem com (quase) o mesmo sabor e aparência da fritura tradicional, mas sem os malefícios de saúde da mesma. É esta a promessa da tecnologia por trás das air fryers, as "fritadeiras a ar", que já estiveram mais na moda., mas que as "notícias" de que esta forma de confeção geraria substâncias cancerígenas fez arrefecer, infelizmente, a popularidade.

Comecemos por deixar isto bem claro: as air fryers não fazem mais cancro do que outra qualquer forma de cozinhar a comida. Em alguns casos, até pode fazer menos.

Para quem não sabe: começou a circular na internet -- tendo ganho o maior impacto no início deste ano -- a história de que os alimentos assim cozinhados gerariam um elevado valor de acrilamida, uma amida potencialmente cancerígena que se forma (de modo natural, diga-se) nos alimentos ricos em frutose e glucose, e noutros, como é o caso das batatas, quando sujeitos a temperaturas elevadas. Ora como as air fryers não apenas expõem estes alimentos a estas temperaturas, como o fazem durante mais tempo do que a fritura normal, devido à forma como funcionam (já lá vamos), supostamente produziriam mais acrilamida.

Desde logo, convém esclarecer que a questão da acrilamida não se coloca apenas relativamente às air fryers. Todos os alimentos ricos em açúcares, desde que muito cozinhados, têm valores mais elevados desta amida.

Depois, o raciocínio por trás do argumento de que "fritar com ar" produz mais acrilamida nem fará verdadeiramente sentido. Na realidade, uma air fryer é um forno de convecção, que faz o ar circular e coze a comida. No fim da confeção, esta é pulverizada com o (pouquíssimo) óleo, de forma a que esta fique com o aspeto de frito e a textura crocante.

Ou seja, os alimentos são cozidos no forno, o que é sempre mais saudável do que a fritura em óleos a altas temperaturas, segundo todos os médicos e nutricionistas. E o site especializado VeryWellHeath cita inclusivamente um estudo científico de 2020 que concluiu que, no caso do frango, a técnica de air frying cria MENOS acrilamidas do que a grelha normal, bem como reduz substancialmente a geração de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos nos alimentos, uma família de compostos altamente tóxicos.

Já no caso das batatas, há mesmo um estudo médico que concluiu que a técnica produz 90% MENOS acrilamida do que a fritura normal, porque, apesar de a comida passar mais tempo a cozinhar, tal acontece a temperaturas mais reduzidas (90º vs. 120º ou mais no caso do óleo).

Mais um detalhe: a técnica de air frying evita ainda o reaquecimento do óleo, algo praticamente inevitável na fritura e que está ligado a vários cancros, incluindo da mama, pulmões e do cólon. Por isso, não hesite, se quer mesmo comer alimentos fritos, opte por este método.

Que modelo comprar?

Há muitas e variadas máquinas disponíveis no mercado para, basicamente, fazerem a mesma coisa. Tal como acontece com os fornos micro-ondas, variam no tamanho (capacidade) e nos comandos disponíveis.

Assim, no momento da sua escolha deve, antes de mais, pensar no tamanho da família -- se o agregado for apenas de duas pessoas, um modelo mais pequeno chega perfeitamente, já se tiver uns três ou quatro filhos....

Depois, há o nível de sofisticação do interface que pretende. Quanto mais simples, mais barata será a máquina. As mais "evoluídas" têm, claro, uma app de telemóvel a acompanhar. Comecemos por uma destas.

Monitorize tudo no telemóvel

A Philips chama-lhe Essential Connected e, não tivesse esta Airfryer XL HD9280/90 o preço de 220 euros (El Corte Inglés), e diríamos que era uma compra "obrigatória" para qualquer família média. O forno de 6,2 litros (1,2 kg de peso) dá para uma família de 5 ou 6 pessoas.

A experiência de ter sido uma das primeiras marcas a desenvolver este tipo de tecnologia, o facto de poder controlar cada momento da confeção pelo telemóvel e a possibilidade de descarregar na app novas receitas -- com passo-a-passo -- são mais-valias que devem ter-se em conta.

Além disso, o sistema rapid air garante confeções mais rápidas e os utensílios são todos laváveis na máquina, o que nem sempre acontece. Tudo isto paga-se, de facto....

Uma das mais rápidas do mercado

Eleita pela equipa de especialistas da BBC como uma das máquinas mais rápidas do mercado, a Ninja Air Fryer Max tem um forno de 5,2 litros e seis funções de cozedura. "O tabuleiro até se adapta a cozer bolos", escreve o canal púbico britânico. Custa 150 euros na Amazon e é francamente difícil encontrar-lhe defeitos.

A melhor para "frango no espeto"

Voltamos aos especialistas da BBC para esta escolha. A Tower Xpress Pro T17039 Vortx 5-in-1 custa 112 euros (Amazon.co.uk) e foi a mais bem cotada dos testes na categoria com "rotisserie".

Além de que dá para fazer todas as outras coisas que os outros fornos fazem (daí o "cinco em um...). A tecnologia Vortx de circulação de ar promete resultados 30% mais rápidos do que a maioria que o mercado tem para oferecer. Pelo menos as mais baratas...

Conectada e económica

Não ser a mais rápida é a maior crítica que se pode fazer à Mi Smart Air Fryer, da Xiaomi. É conectada, pelo que até pode deixar tudo pronto e dar início ao cozinhado antes de sair do emprego, pelo telemóvel. O forno de 3,5 litros chega perfeitamente para duas pessoas. O preço está agora em promoção: 80 euros (na loja da marca). Dificilmente arranja tanta tecnologia por tão pouco noutro lado.

Em conclusão, "fritar com ar" na realidade é cozer no forno com um pouco de óleo por cima para lhe dar a ilusão dos fritos deliciosos, pelo que só pode ser mais saudável. Agora, tal como vários nutricionistas e médicos dizem, nunca se esqueça de uma coisa: se cozinhar alimentos com muita gordura, a confeção não os vai transformar magicamente em coisas saudáveis. Tudo depende do que (e em que quantidade) decide comer.

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