Thibault conseguiu andar pela primeira vez em vários anos graças a um exoesqueleto

Anos depois de ter ficado tetraplégico devido a uma queda, o homem de nacionalidade francesa aceitou o desafio de testar um modelo de exoesqueleto biónico controlado pela mente. Através desta máquina, consegue comandar o próprio corpo e obrigá-lo a caminhar.

"Foi como (ser) o primeiro homem na Lua". O francês Thibault de 30 anos pousou os pés no chão e moveu os braços, depois de anos a pensar que nunca mais na vida o poderia fazer, no seguimento de uma queda que o deixou tetraplégico. "Eu não andei durante dois anos, esqueci-me de como era estar em pé, esqueci-me que era mais alto que muitas pessoas", conta à BBC. Graças a um protótipo de exoesqueleto, controlado pela mente, Thibault pode experienciar tudo isto novamente.

Há cerca de quatro anos, no auge dos seus 26, o francês caiu de uma altura de 15 metros. O acidente resultou numa lesão na medula espinal que o deixou paralisado e, durante os dois primeiros anos, a viver no hospital. Em 2017, decidiu participar na investigação da Clinatec (centro francês de investigação biomédica) e da Universidade de Grenoble (França), que propunha a criação de um exoesqueleto biónico.

O modelo obrigou à colocação de implantes na superfície do cérebro, precisamente junto às zonas responsáveis por controlar os movimentos. É através destes dispositivos que é feita a ligação entre o exoesqueleto de 65 quilos (ao qual a pessoa fica amarrada) e o cérebro, para a transmissão de instruções. Basta que o utilizador pense no ato de andar para fazer com que o protótipo se mova.

Mas o modelo não está pronto para sair à rua. Para já, este fato só está disponível para uso exclusivo no laboratório. Ainda assim, os investigadores acreditem que o plano possa vir a ser mais ambicioso no futuro e mudar a vida de várias pessoas que perderam a mobilidade. "Resolvemos o problema e mostramos que o princípio está correto. Isto é a prova de que podemos estender a mobilidade dos pacientes", disse à BBC o presidente do conselho executivo da Clinatec, Alim-Louis Benabid.

Mas "isto está longe de ser uma caminhada autónoma", esclarece. O especialista alerta que o utilizador de um exoesqueleto "não tem movimentos rápidos e precisos para não cair", até porque "ninguém na terra faz isso". O que foi criado pela equipa de investigadores franceses trata-se apenas de um passo "na direção de proporcionar melhor qualidade de vida" a estas pessoas.

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