Porcos mortos e feridos em testes de colisão com cadeiras de bebé

Associações pedem o fim desta prática, que mata os animais ou os deixa com múltiplas fraturas e hematomas. Cientistas garantem ter cumprido as orientações norte-americanas para o uso de animais em laboratório.

Um grupo de cientistas chineses está a ser condenado por ter usado porcos vivos como modelos em testes de colisão de cintos de segurança, deixando os animais mortos ou feridos com gravidade. A prática está a ser condenada um pouco por todo o mundo, com várias associações a manifestarem-se, entre as quais a PETA, que já pediu aos investigadores que deixem de usar os animais nos testes.

Segundo o jornal britânico Independent, sete animais jovens foram mortos, depois de serem amarrados em cadeira de bebé projetadas contra uma parede a 30 km/hora, enquanto oito ficaram gravemente feridos, com hemorragias, ossos partidos e hematomas internos.

Ao analisarem os corpos, os investigadores descobriram que os pulmões eram o órgão mais afetado nas colisões, seguindo-se o baço e o fígado. De acordo com a equipa, que publicou os dados em janeiro no International Journal Of Crashworthiness, os resultados podem ser úteis para "aprender mais sobre lesões torácico-abdominais pediátricas".

Os animais, ainda jovens, ficaram sem comer 24 horas antes dos testes e sem água nas seis horas que antecederam a experiência, cujo objetivo era testar os cintos de segurança em três posições distintas.

Esta foi a forma escolhida pelos cientistas chineses para testar cintos de segurança para menores, pois, segundo os mesmos, os porcos têm uma estrutura anatómica semelhante à de uma criança de seis anos. De acordo com o jornal britânico, os investigadores sugeriram inclusive vir a realizar experiências semelhantes no futuro.

Citados pela mesma fonte, os sete cientistas chineses do Institute for Traffic Medicine at the Third Military Medical University (Instituto de Medicina de Trânsito da Universidade Militar de Medicina) garantem que seguiram as diretrizes norte-americanas para o uso de animais em laboratório e asseguram que o estudo foi aprovado por um comité de ética.

Com a divulgação das imagens, várias associações de defesa dos animais têm vindo a mostrar-se perplexas com a experiência. A PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, em Português), por exemplo, condenou os testes "bárbaros", que deixam os animais "a sagrar, magoados e mutilados".

Segundo a organização, as empresas usam atualmente tecnologia avançada para fazer investigação sobre acidentes, nomeadamente modelagem em computadores, imagens médicas em 3D e manequins sofisticados

"Outros investigadores também usaram cadáveres humanos e realidade virtual (manequins virtuais) para o mesmo fim. No século XXI, todas as empresas de carros do planeta já deviam ter adotado esses métodos", critica a PETA, que entretanto entrou em contacto com os cientistas para pedir que parem de usar animais nestas experiências.

"Não há nenhum regulamento que exija a realização destes testes horríveis", referiu a PETA. De acordo com a mesma organização, os animais receberam anestesias para reduzirem "o stress e a excitação", tendo-lhes sido introduzidos elétrodos no abdómen.

Ouvido pelo jornal britânico, Chris Magee, do grupo britânico Understanding Animal Research, disse que não imaginava que estes testes fossem usados em qualquer país, uma vez que já existem muitos manequins disponíveis para este tipo de experiências.

"Não entendo porque sentiram necessidade de fazer isso. Neste país, isso passaria por uma revisão ética", adiantou.

No Reino Unido, os porcos são usados sobretudo para estudar e tratar doenças, nomeadamente problemas cardiovasculares e distúrbios nervosos.

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