Remdesivir. Farmacêutica fixa em cerca de 2 mil euros o tratamento por paciente

É o único medicamento contra a covid-19 recomendado pela Agência Europeia de Medicamentos e Portugal já o está a usar em "doentes graves". A Gilead Sciences vai cobrar 2.340 dólares (cerca de 2.082 euros) pelo tratamento de cinco dias. O preço por cada frasco irá custar 390 dólares (347 euros) aos governos dos países desenvolvidos.

A farmacêutica Gilead Sciences já estabeleceu o preço para o tratamento à covid-19 com Remdesivir, o primeiro medicamento recomendado pela Agência Europeia de Medicamentos (AEM) para ser usado contra a infeção pelo novo coronavírus na União Europeia. Um fármaco que Portugal já está a usar em "doentes graves".

A empresa vai cobrar 2.340 dólares (cerca de 2.082 euros) pelo tratamento de cinco dias, sendo que um frasco de Remdesivir vai ser vendido a 390 dólares (cerca de 347 euros) aos governos dos países desenvolvidos, segundo o comunicado da Gilead, citado pela agência Bloomberg.

A empresa norte-americana refere que optou por estabelecer um preço fixo para evitar negociações país a país. "Queremos garantir que nada falhe para que o Remdesivir chegue aos doentes", disse Daniel O"Day, CEO da empresa. A farmacêutica pretende que "todos os pacientes em todo o mundo tenham acesso a este medicamento", lê-se no comunicado.

De acordo com a Gilead Sciences, o tratamento com este medicamento irá permitir uma poupança de 12 mil dólares por doente (cerca de 10.690 euros), uma vez que possibilita aos pacientes terem alta hospitalar mais cedo. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine demonstra que os doentes que foram tratados com este fármaco conseguiram recuperar quatro dias mais rápido do que os outros casos graves de covid-19.

A farmacêutica norte-americana refere, no entanto, que fixou um preço mais baixo para que todos os países desenvolvidos possam ter "acesso amplo e equitativo" ao Remdesivir, "num momento de necessidade global urgente".

"Reduzimos o preço para um nível acessível aos países desenvolvidos com menor poder de compra", refere a empresa sobre o valor que estabeleceu para o tratamento à covid-19. Este preço, explica a Gilead, é o que vai ser cobrado "a todos os governos de países desenvolvidos em todo o mundo onde o Remdesivir é aprovado ou autorizado para uso".

Para adquirirem o medicamento os governos dos EUA e de outros países desenvolvidos têm de pagar cerca de 347 euros por cada frasco do antiviral, sendo que o tratamento de cinco dias implica a utilização de seis frascos, o que representa um custo total de 2.082 euros por paciente.

Os valores mudam quando se trata de empresas privadas norte-americanas. Para estas entidades, cada frasco de Remdesivir vai custar 520 dólares (cerca de 462 euros) e o tratamento de cinco dias ficará por 3.120 dólares por doente (cerca de 2.777 euros).

Este medicamento antiviral contra a covid-19 já é usado em Portugal, tal como explicou a diretora-geral da Saúde na passada sexta-feira, dia 26 de junho. Na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia no nosso país, Graça Freitas indicou que os hospitais ativaram o programa de acesso precoce e têm usado o Remdesivir "para doentes graves".

Na mesma conferência de imprensa, a ministra da Saúde disse que Portugal espera que a Comissão Europeia autorize a utilização do Remdesivir em casos de covid-19, indicando que já há um programa para acesso ao medicamento nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

À espera da decisão final da Comissão Europeia

De acordo com Marta Temido, o Infarmed "tem assegurada a existência de um programa de acesso precoce para utilização deste medicamento nos hospitais no SNS, nos casos necessários".

A Direção-Geral da Saúde afirmou que o medicamento "foi útil na área pediátrica, foi rápido e fácil o acesso e nas crianças que o utilizaram, correu bem".

A recomendação do comité para medicamentos para uso humano da Agência Europeia de Medicamentos indica o uso de Remdesivir em doentes com covid -19, adultos e jovens com mais de 12 anos e que sofram de pneumonia e necessitem de receber oxigénio.

Depois da recomendação da AEM espera-se esta semana uma decisão final da Comissão Europeia sobre a utilização deste fármaco contra a covid-19.

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