Passa a vida a queixar-se? Isso pode fazer-lhe bem à saúde

De acordo com os especialistas, reclamar pode assumir três formas: barafustar, solucionar e remoer. Saber que tipo de comportamento adota quando se queixa pode ajudar a criar hábitos que tornam a reclamação mais estratégica.

Se é daquelas pessoas a quem é dito que o mundo não se uniu para o tramar, vai perceber que reclamar - do amigo, do chefe ou do vizinho, das contas e do trânsito, das pessoas lentas na fila, do tempo ou do excesso de trabalho - é saudável e, sobretudo, recomenda-se. O que é preciso é saber como queixar-se, para que as queixas possam trazer benefícios e não apenas negatividade e depressão.

"Sim, é bom reclamar; sim, é mau reclamar; e sim, há uma maneira certa de o fazer", explica Robin Kowalski, professor de psicologia da Universidade Clemson, ao New York Times.

De acordo com os especialistas, reclamar pode assumir três formas: barafustar, solucionar e remoer. Saber que tipo de comportamento adota quando se queixa pode ajudar a criar hábitos que tornam a reclamação mais estratégica. É bom para a saúde emocional e uma forma ótima de construir relacionamentos mais fortes com os outros.

"Como sociedade, não somos muito bons em expressar sentimentos, por isso é bastante comum reclamar para expressar um sentimento", diz Tina Gilbertson, psicoterapeuta e autora de "Constructive Wallowing".

Usamos o ato de reclamar também como uma ferramenta social. "As pessoas sentem-se mais próximas umas das outras, então a amizade realmente sai fortalecida", refere ainda Margot Bastin, que estuda a comunicação entre amigos no departamento de Psicologia da universidade belga KU Leuven.

Reclamamos porque a vida não é perfeita e porque expressar sentimentos negativos "não é apenas normal, mas também saudável", diz Kowalski.

A melhor forma de reclamar? Com a solução em vista

A melhor forma de reclamar é quando as queixas se focam na solução do problema. Porque reclamar é também uma maneira de desabafar, nem que seja com nós mesmos. O que não é saudável é a obsessão negativa por algo - mesmo uma queixa.

Angela Grice, terapeuta da fala que estudou neurociência na Howard University e no Neurocognition of Language Lab da Columbia University, refere que o ato de nos queixarmos pode resultar em "reclamações instrumentais" - que são feitas com um objetivo, ou seja, a solução de um problema - e estas podem ser benéficas.

Já o ato de barafustarmos ajuda-nos a ter uma visão e a dar nome àquilo que estamos a sentir. "Reconhecer sentimentos é saudável, é bom fisiologicamente e é bom para a nossa saúde emocional", corrobora Gilbertson.

Além do vínculo social que é criado com o ato de reclamar, o feedback de outras pessoas pode ajudar-nos - podemos perceber se os comentários de um chefe eram realmente injustos - a observar padrões nas coisas que nos incomodam ou a detetar um problema maior não identificado.

Bastin sublinha que esta "divulgação emocional é importante", mas "a maneira como a divulgamos" é o que determina se a interação tem um impacto positivo ou negativo, não apenas no queixoso, como no recetor da queixa.

Importante é evitar o ato de remoer. Bastin diz que prestar atenção aos nossos hábitos pode começar realmente a mudá-los. Exemplos? Respirar antes de chamar um amigo para desabafar, ou refletir rapidamente se temos mesmo de nos queixar naquele momento.

O importante é construir o hábito de pensar conscientemente sobre o objetivo da conversa, "em vez de entrar no piloto automático negativo", o que irá originar "sessões de reclamação curtas e agradáveis, o que é importante para a construção de relacionamentos que não são focados apenas em emoções negativas", defende Bastin.

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