O polvo "Dumbo" que mora no fundo do mar. Filmado a 7 mil metros, um recorde de profundidade

Investigadores dizem que se trata de uma espécie de polvo "Dumbo" aquele que foi filmado a sete mil metros de profundidade em Java Trench, no leito do Oceano Índico.

Nunca antes tinha sido registado um polvo a tantos metros de profundidade. No leito do Oceano Índico, lá estava ele, uma espécie de polvo "Dumbo" que a câmara apanhou a 7 mil metros de profundidade, quase dois quilómetros a mais do que o último registo, segundo refere a BBC.

A descoberta, um novo recorde de profundidade - 6957 para se ser mais preciso -, foi relatada pelos investigadores na revista Marine Biology, na qual é explicado o nome que foi escolhido para batizar o polvo "apanhado" nas profundezas do Índico.

Chama-se "Dumbo" por causa das barbatanas em forma de orelhas que fazem lembrar a famosa personagem do elefante da Disney.

O ecologista marinho Alan Jamieson é o responsável pela equipa que fez o registo do polvo que vive mais fundo no mar, pelo menos do que se conhece até ao momento. Foi encontrado no Java Trench, no leito do Índico.

Durante um ano e meio, os cientistas mergulharam nos lugares mais profundos do mar e em abril fizeram esta descoberta.

Jamieson confessa à CNN que ele os restantes elementos da equipa foram surpreendidos pela aparição do polvo. Após 100 mergulhos, os investigadores da expedição "The Five Deeps" já tinham uma ideia dos animais que vivem nas águas mais profundas, mas não estavam à espera de "Dumbo".

"Como habitualmente, filmamos quase o mesmo material, mas, de repente, no meio de um mergulho a cerca de 6 mil metros, um polvo Dumbo simplesmente voa à frente da câmara", relata à estação de televisão norte-americana.

Dois dias depois da primeira aparição deste animal, voltaram a mergulhar, mas ainda mais fundo, a 7 mil metros. "A câmara fica no fundo do mar durante quatro minutos. E [o polvo] sai da escuridão, subiu até as câmaras - outro polvo 'Dumbo' ", recorda o ecologista, que é CEO da empresa de exploração em alto mar Armatus Oceanic.

Mudar a ideia de que o fundo do mar é habitado por seres assustadores

O investigador é considerado um dos pioneiros na exploração das profundezas do mar utilizando "landers", o nome de dispositivos lançados ao mar por navios de investigação, que ficam no fundo do oceano e registam tudo o que lá se passa. Com esta tecnologia, os cientistas têm registado vários organismos no leito do oceano.

Dois polvos da família Grimpoteuthis foram então captados em filme, um a 5 760 metros e o segundo a 6.957 metros de profundidade. Tinham 43 cm e 35 cm de comprimento.

O especialista diz que esta descoberta pode mudar a perceção das pessoas que acham que o fundo do mar é povoado por criaturas estranhas e assustadoras.

"Este é apenas um polvo fofinho a fazer o que os polvos fazem. Não há nada de particularmente estranho nisto. Então, esperançosamente, as pessoas podem sentir uma proximidade maior às águas realmente profundas, em oposição ao ambiente assustador, horrível e estranho que parece ser",afirmou Alan Jamieson.

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