Não falar no metro, nem sequer ao telemóvel, reduz o risco de contágios, dizem cientistas

O Conselho Superior de Investigações Científicas espanhol recomenda silêncio total no metro para prevenir e reduzir contágios por covid-19.

Em silêncio, sempre. Nem sequer deve falar ao telemóvel durante uma viagem de metro. O objetivo é reduzir o risco de ficar infetado pelo novo coronavírus. Uma recomendação do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) espanhol feita com base nas evidências que demonstram a transmissão aérea do vírus responsável pela covid-19, nomeadamente através de aerossóis, pequenas partículas que podem permanecer suspensas no ar durante minutos ou até horas.

Permanecer sem falar no metro, usando sempre a máscara, pode, portanto, ser a chave para prevenir e reduzir os contágios neste meio de transporte, refere uma cientista do CSIS durante uma entrevista a um programa da estação de rádio da Catalunha RAC1. "O ideal seria o metro indicar 'silêncio, sempre'" aos passageiros.

Mas à falta dessa indicação no metropolitano, Cruz Minguillón aconselha vivamente a que se permaneça calado durante o tempo em que utiliza este transporte, e é mesmo importante resistir à tentação de pegar no telemóvel quando este toca, de modo a evitar falar durante a viagem.

A especialista em aerossóis atmosféricos considera que "em silêncio e com uma máscara bem ajustada, o risco é muito baixo" de contrair a doença.

Uma recomendação que surge no âmbito das provas científicas sobre a transmissão do vírus pelo ar. Uma hipótese defendida, aliás, no trabalho desenvolvido por um grupo de investigadores, cujos resultados foram publicados na revista especializada Science no mês de outubro.

Também o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos atualizou as suas orientações referindo que o vírus que causa a covid-19 pode ser transmitido pelo ar.

O CDC indica que algumas infeções podem ser transmitidas pela exposição ao vírus em pequenas gotículas e partículas, ou aerossóis, que podem permanecer no ar durante minutos ou até horas. Uma atualização feita no início de outubro que tem como base o reconhecimento de relatórios publicados que mostraram circunstâncias "limitadas e pouco comuns" em que pessoas com covid-19 infetaram outras que estavam a mais de dois metros de distância.

Nesses casos, o CDC diz que as transmissões ocorreram em espaços fechados e mal ventilados e que muitas vezes envolviam atividades que causavam uma respiração mais pesada, como cantar ou fazer exercícios físicos. Este organismo sublinha, no entanto, que é mais frequente o contágio estando próximo de uma pessoa infetada com covid-19 do que por transmissão aérea.

As novas evidências científicas reforçam, no entanto, a urgência de ventilar bem os espaços fechados. A esta medida junta-se ainda o uso correto da máscara e não falar para reduzir o risco de contágio quando se anda no metro, defende a cientista espanhola.

A recomendação ganha mais força pelo facto de os especialistas explicarem que quando falamos ao telemóvel no metro expelimos 50 vezes mais aerossóis, uma vez que falamos mais alto devido ao barulho que se faz sentir no local.

E nos autocarros? Aqui, a situação não se compara com o metro, diz Minguillón. Para esta investigadora espanhola, a ventilação é constante no autocarro, enquanto é mais complicado arejar as carruagens do metro. "É mais fácil nos autocarros. Ao abrir e fechar as portas em cada paragem", há uma renovação do ar que joga a nosso favor, explicou a especialista.

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