Moedas assinou com Bill Gates parceria de 100 milhões de euros para as energias limpas

A Comissão Europeia e o fundo liderado por Bill Gates, o Breakthrough Energy, assinaram esta quarta-feira o memorando de entendimento para financiar projetos inovadores na área das energias limpas no valor de 100 milhões de euros

O Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, assinou esta quarta-feira um memorando de entendimento com o fundo liderado por Bill Gates, Breakthrough Energy, para criar a Breakthrough Energy Europe (BEE), um fundo de 100 milhões de euros para ajudar empresas europeias inovadoras a desenvolver tecnologias inovadoras na área das energias limpas. A cerimónia de assinatura realizou-se esta quarta-feira no edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, com o comissário português e o cofundador da Microsoft.

Para Carlos Moedas, a Comissão Europeia está a respeitar o "compromisso de estimular a cooperação público-privada no financiamento de inovação energética" com a criação do BEE. "O fundo de 100 milhões de euros destina-se aos inovadores e empresas da União Europeia com o potencial para obter reduções significativas e duradouras nas emissões de gases de efeito estufa", refere o comissário português.

O BEE deverá começar a funcionar em 2019 e tem como objetivo a "redução das emissões dos gases com efeito de estufa e na promoção da eficiência energética nos setores da eletricidade, dos transportes, da agricultura, da indústria transformadora e dos imóveis", lê-se no comunicado da Comissão Europeia.

Bill Gates, presidente da Breakthrough Energy Ventures, considera ser necessário ter "novas tecnologias para evitar os piores impactos da mudança climática". "Os cientistas e empreendedores que estão a desenvolver inovações para lidar com as mudanças climáticas precisam de capital para construir empresas que possam entregar essas inovações ao mercado global. A Breakthrough Energy Europe é projetada para fornecer esse capital", explica o cofundador da Microsoft.

Lançado em 2016 por Bill Gates e um grupo de magnatas - entre os investidores estão Richard Branson, fundador da Virgin, Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon e Jack Ma, presidente do Alibaba Group -, o fundo de investimento apoia empresas do setor tecnológico a promover avanços na produção de energia limpa. O fundo de mil milhões de dólares foi criado para investir, a longo prazo, em tecnologias de energia com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Europa sustentável

O fundo de investimento BEE "associa o financiamento público e o capital de risco a longo prazo, para que os resultados da investigação e da inovação no domínio das energias limpas se possam incorporar no mercado de forma mais rápida e eficiente".

Com a assinatura deste memorando de entendimento, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, salientou a importância de "fazer avançar a modernização da economia e da indústria na Europa, a fim de alcançar os objetivos ambiciosos fixados para proteger o nosso planeta". "Para que a Europa possa dispor de um futuro suscetível de assegurar o bem-estar de todos os seus cidadãos, é necessário que seja respeitadora do clima e sustentável", defendeu Juncker.

Maros Sefcovic, vice-presidente da Comissão Europeia, responsável pela União da Energia, destacou a importância da criação do BEE, "um novo veículo de investimento público-privado", que não só "foi criado em tempo recorde, como constituirá também um exemplo da conjugação dos esforços desenvolvemos para acelerar a inovação de ponta na Europa". Sefcovic defendeu que a urgência em aplicar medidas para que sejam atingidos os objetivos climáticos "exigem ideias inovadoras e ações arrojadas".

Metade do capital da BEE será da Breakthrough Energy e o restante do InnovFin, um instrumento financeiro financiado pelo Horizonte 2020, o programa de investigação e inovação da União Europeia, gerido pelo Banco Europeu de Investimento, que tem um orçamento global superior a 77 mil milhões de euros.

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