Poluição atmosférica reduz em quase dois anos a esperança média de vida global

Um novo estudo vem provar que o ar tóxico reduz o tempo de vida em 1,8 anos, tornando-se a principal ameaça à saúde humana

Menos dois anos de vida. É o que um novo estudo prevê para a população mundial. A poluição atmosférica é a responsável e, de acordo com as conclusões do Energy Policy Institute da Universidade de Chicago, está a reduzir a esperança média de vida mundial em precisamente 1,8 anos. Este tipo de poluição tornou-se, assim, a maior ameaça à saúde humana. Índia e China são os países mais afetados, com uma esperança média de vida encurtada não em dois, mas em seis anos.

Através da análise da poluição produzida pela queima de combustíveis fósseis por veículos e indústria, o trabalho combinou investigações sobre a redução do tempo de vida causado pela exposição a longo prazo a partículas poluídas. Concluiu, então, que o impacto do ar tóxico é maior do que os efeitos causados pelo tabagismo ou pelo HIV. "Enquanto as pessoas podem parar de fumar e tomar medidas para se proteger de doenças, há pouco que possam fazer individualmente para se protegerem do ar que respiram", explicou Michael Greenstone, diretor do Energy Policy Institute e líder desta investigação.

O investigador lamenta que "em todo o mundo, as pessoas estejam a respirar ar que representa um sério risco para a saúde delas". Contudo, "a maneira como esse risco é comunicado é muitas vezes opaca e confusa". "Desenvolvemos o AQLI (Air Quality Life Index) para resolver essas deficiências. É preciso medir as concentrações de poluição do ar e convertê-los naquela que é a talvez a métrica mais importante que existe - a esperança média de vida", explica o especialista.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% das pessoas estão expostas ao ar poluído e respirá-lo está a matar sete milhões de cidadãos por ano e a prejudicar a saúde de outros biliões de pessoas. Em outubro deste ano, o diretor da OMS, em entrevista ao The Guardian, comparava a poluição atmosférica ao "novo tabaco" - sendo que o tabagismo reduz em 1,6 anos a esperança média de vida, menos do que a redução que este estudo aponta para o ar poluído. "Apesar desta epidemia de mortes e deficiências evitáveis e desnecessárias, há uma nuvem de complacência que permeia o planeta", alertava Tedros Adhanom.

Em janeiro deste ano, a União Europeia lançou um ultimato a vários países, com prazo para mostrarem quais as medidas que vão tomar para cumprir as leis da poluição atmosférica. Caso Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e outros seis países nomeados no ultimato não o fizessem, teriam que enfrentar o Tribunal de Justiça Europeu.

Portugal estava fora do saco, mas tem 15 localidades que ultrapassam o nível máximo de partículas finas inaláveis e que a OMS determina que não deve ser superior a 10 microgramas por metro cúbico de ar. Lisboa, Cascais e Almada estão entre as áreas mais poluídas. O Porto encontra-se abaixo do nível determinado. Guimarães é a localidade com o valor mais baixo da lista.

Michael Greenstone acredita que esta investigação é importante para provar "aos cidadãos e legisladores como a poluição por partículas está a afetá-los, a eles e as suas comunidades". "Revela ainda os benefícios das políticas para reduzir a poluição por partículas", remata.

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