Descobertos genes da monogamia

Cientistas estudaram cérebro de vários animais monogâmicos e não-monogâmicas. Os que mantêm um parceiro estável partilham o mesmo conjunto de genes.

A monogamia social aumenta a capacidade de defesa do território e o cuidado biparental. E os cientistas descobriram agora que várias espécies de vertebrados partilham os mesmos genes ligados à monogamia e tentam perceber a importância desta descoberta para entender as origens da diversidade comportamental.

Apesar do comportamento monogâmico ser muito complexo, os resultados da investigação publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences mostram que na base está um simples mecanismo no cérebro que ativa a monogamia. O que ainda intriga os cientistas é como é que esses genes apareceram repetidamente ao longo da árvore da vida. Já que os animais estudados - ratos, ratazanas, aves canoras e peixes ciclídeos - há 450 milhões de anos que não partilham ascendência.

"Muito do nosso comportamento ou comportamentos dos animais está sujeito a processos evolutivos... que estão escritos no nosso genoma e que se manifestam em determinados padrões genéticos no cérebro ou em outras partes do corpo", referiu Hans Hofmann, um dos autores da investigação, citado pelo The Independent .

Biologicamente a monogamia, associada a laços de longa duração entre dois indivíduos, ajuda a aumentar as possibilidades de sobrevivência, protegendo o território e as crias. O que levou os biólogos evolucionistas propõem, por isso, a existência de vários benefícios na chamada monogamia social.

Na tentativa de descobrir diferenças entre os pares monogâmicos e os não-monogâmicos, os cientistas registaram um padrão, entre os primeiros. Alguns grupos de genes têm mais tendência para estar ligados ou desligados nestes animais. Entre os genes com maior atividade em espécies monógamas estavam aqueles envolvidos no desenvolvimento neural, comunicação entre as células, a aprendizagem e a memória, especificam os biólogos. Eles especulam que os genes que tornam o cérebro mais adaptável - e mais capazes de lembrar - também podem ajudar os animais a reconhecer seus parceiros e achar sua presença compensadora.

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