Descobertos genes da monogamia

Cientistas estudaram cérebro de vários animais monogâmicos e não-monogâmicas. Os que mantêm um parceiro estável partilham o mesmo conjunto de genes.

A monogamia social aumenta a capacidade de defesa do território e o cuidado biparental. E os cientistas descobriram agora que várias espécies de vertebrados partilham os mesmos genes ligados à monogamia e tentam perceber a importância desta descoberta para entender as origens da diversidade comportamental.

Apesar do comportamento monogâmico ser muito complexo, os resultados da investigação publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences mostram que na base está um simples mecanismo no cérebro que ativa a monogamia. O que ainda intriga os cientistas é como é que esses genes apareceram repetidamente ao longo da árvore da vida. Já que os animais estudados - ratos, ratazanas, aves canoras e peixes ciclídeos - há 450 milhões de anos que não partilham ascendência.

"Muito do nosso comportamento ou comportamentos dos animais está sujeito a processos evolutivos... que estão escritos no nosso genoma e que se manifestam em determinados padrões genéticos no cérebro ou em outras partes do corpo", referiu Hans Hofmann, um dos autores da investigação, citado pelo The Independent .

Biologicamente a monogamia, associada a laços de longa duração entre dois indivíduos, ajuda a aumentar as possibilidades de sobrevivência, protegendo o território e as crias. O que levou os biólogos evolucionistas propõem, por isso, a existência de vários benefícios na chamada monogamia social.

Na tentativa de descobrir diferenças entre os pares monogâmicos e os não-monogâmicos, os cientistas registaram um padrão, entre os primeiros. Alguns grupos de genes têm mais tendência para estar ligados ou desligados nestes animais. Entre os genes com maior atividade em espécies monógamas estavam aqueles envolvidos no desenvolvimento neural, comunicação entre as células, a aprendizagem e a memória, especificam os biólogos. Eles especulam que os genes que tornam o cérebro mais adaptável - e mais capazes de lembrar - também podem ajudar os animais a reconhecer seus parceiros e achar sua presença compensadora.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

Premium

Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.