Bebés geneticamente modificados por cientista chinês com risco maior de morte precoce

Estudo publicado esta segunda-feira na Nature Medicine aponta para um risco acrescido de morte precoce devido à edição genética concretizada pelo cientista chinês He Jiankui

Em novembro de 2018, o cientista chinês He Jiankui anunciou ter criado os primeiros bebés geneticamente modificados para serem resistentes à infeção por VIH. O caso provocou uma enorme polémica, levou ao seu despedimento, pouco depois, da Southern University of Science and Technology (SUSTech), a universidade chinesa onde era investigador, e a uma investigação policial. Agora, um estudo publicado na revista científica Nature Medicine avança que o procedimento utilizado por He Jiankui comporta um risco acrescido, em 21%, de morte antes dos 76 anos.

Esta é a primeira investigação que analisa as potenciais consequências do procedimento realizado pelo cientista chinês, e foi realizada por uma equipa coordenada por Rasmus Nielsen, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos.

He Jiankui usou uma técnica de edição genética para alterar o genoma dos futuros bebés - entretanto nascidos, os primeiros em outubro do ano passado - de forma a conferir-lhes resistência à infeção por HIV.

O genoma humano tem duas cópias do gene CCR5, e quando ambas têm uma mutação, o que ocorre naturalmente numa percentagem muito pequena de pessoas, as pessoas não são normalmente infetadas pelo vírus da sida. Foi essa condição que He Jiankui quis replicar com o seu procedimento.

Quando anunciou o resultado do seu trabalho, no entanto, foi recebido com um clamor de portestos por parte da comunidade científica e pelos especialistas em bioética - e acabou mesmo por ser expulso da universidade. Mas, na prática, os riscos concretos para os bebés não eram conhecidos. Com o estudo agora publicado os riscos do seu procedimento começam a ganhar contornos concretos.