Há cada vez menos alunos a chumbar no ensino básico e secundário

O número de alunos que chega ao final do 3.º ciclo e do ensino secundário sem ter reprovado anteriormente está a aumentar. Contudo, os dados divulgados pelo governo mostram que o contexto socioeconómico dos alunos ainda pesa no seu sucesso escolar.

Ainda não é uma maioria, mas as estatísticas mostram que os estudantes cada vez reprovam menos. O número de estudantes que chegou ao 12.º ano e o 9.º ano sem reprovar em anos anteriores aumentou face ao ano letivo passado e registou a melhor percentagem dos últimos quatro anos. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação (ME) esta segunda-feira, que dá conta de um "aumento substancial".

Relativamente ao ensino secundário, a percentagem de alunos que concluiu o último ano de escolaridade com este indicador de sucesso passou de 37% em 2017/2018 para 44% em 2018/2019. O mesmo se aplica para o 3.º ciclo. Se em 2017/18, 45% conseguiu concluir o 9.º ano sem sem registar chumbos, no ano seguinte esta percentagem atingiu os 47%.

Os dados foram calculados pela Direção Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC), com base na informação reportada pelas escolas e pelo Júri Nacional de Exames

Diferenças regionais

O país é um, mas não uniforme. O relatório enviado pela tutela mostra que a taxa de alunos com um percurso de sucesso é maior em determinadas regiões.

O distrito de Coimbra destaca-se no cimo da tabela, quer no 3.º ciclo quer no ensino secundário, tendo mais de metade dos alunos a terminar os ciclos sem chumbar.

No 3.º ciclo, são os distritos de Beja (31%) e Setúbal (39%) que registam melhores resultados. No secundário, além de Coimbra, os lugares de topo são dos distritos de Viseu (53%), Vila Real e Viana do Castelo (50%). Por outro lado, os piores lugares são de Bragança (31%), Portalegre (33%) e Setúbal (35%).

Desigualdades continuam

Apesar das boas notícias, os dados mostram que as desigualdades continuam um denominador comum e "bastante vincadas" para os alunos de contextos económicos mais desfavorecidos. Os mais carenciados, mostram os dados, terão menos probabilidade de chegar ao final destes ciclos sem uma reprovação.

No caso do 3.º ciclo, a diferença acentua-se: só um em cada cinco estudantes (21%) que usufruem de Ação Social Escolar (ASE) regista sucesso escolar. Uma percentagem que aumenta drasticamente para 56% quando a amostra são todos aqueles que não necessitam deste apoio.

Um cenário que se alarga até ao ensino secundário, onde apenas 29% dos alunos com ASE conseguem terminar o 12.º ano sem reprovar e 45% daqueles que não dependem do apoio financeiro atinge este nível de sucesso.

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