Genética ajuda a perceber se somos pessoas da manhã ou da noite

Estudo desenvolvido no Reino Unido permite também associar os ritmos de sono à saúde mental

Deitar cedo e cedo erguer - é uma máxima que algumas pessoas cumprem com facilidade, mas que para outras é como um castigo. De acordo com um estudo publicado esta semana na Nature Communications, que analisou o genoma de cerca de 700 mil pessoas, os investigadores identificaram 351 variações genéticas que podem ser associadas à hora a que as pessoas vão para a cama.

Foram usados dados de uma empresa que realiza testes genéticos no Reino Unido e que rastreia centenas de milhares de voluntários na Grã-Bretanha, dos quais cerca de 85 mil usam monitores de atividade que registam os seus movimentos. Esses dados foram fundamentais, disse Michael Weedon, bioinformático da Universidade de Exeter, Inglaterra, e um dos autores do artigo.

Estudos anteriores tinham-se baseado apenas nas opiniões das pessoas sobre se eram pessoas da manhã ou da noite. Usando os monitores de atividade, no entanto, a equipa de cientistas confirmou que as pessoas que se identificavam como matutinas iam de facto deitar-se mais cedo: as pessoas com a maioria das variantes genéticas matinais foram para a cama 25 minutos mais cedo do que as outras. As pessoas da manhã não dormiam mais ou melhor do que as pessoas da noite, a única coisa que era diferente era a hora de ir dormir.

Esses dados foram depois cruzados com os dados genéticos das pessoas. Alguns dos genes analisados têm uma função nos tecidos cerebrais. Outros atuam na retina - e as pessoas que têm uma versão rara desses genes têm mais probabilidades de serem "noturnas", explicou Samuel Jones, investigador da Universidade de Exeter. Outro gene está envolvido no modo como o corpo processa a cafeína e a nicotina, dois estimulantes muito comuns.

Além disso, os cientistas concluíram que as pessoas que se definem como "matinais" são aquelas que têm um nível de bem estar mais elevado. Entre essas pessoas há registo de menos casos de depressão e esquizofrenia, o que sugere que existe uma ligação entre os cronotipos e a saúde mental. Mas os investigadores argumentam que o facto de uma pessoa ter um estilo de vida coincidente com o seu cronotipo pode ser o fator mais determinante. Por isso, no futuro, pretendem analisar, por exemplo, se as pessoas da manhã que têm de se manter acordadas até tarde para trabalhar ou devido a outros compromissos (ou as pessoas que são da noite e são forçadas a acordar muito cedo) têm mais ou menos problemas mentais do que as pessoas que vivem de acordo com o seu cronotipo.

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