Conselhos da DGS. Que alimentos comprar em tempo de covid-19?

O coronavírus pode ser transmitido através dos alimentos? Que alimentos devo comprar? Posso reforçar o sistema imunitário através da alimentação? Para responder a estas e outras perguntas, a DGS elaborou um manual com orientações sobre alimentação durante o surto da covid-19. Este texto foi publicado originalmente no dia 20 de março e faz parte de um lote de trabalhos relacionados com a covid-19 que o DN está a republicar.

Os alimentos que comemos podem ajudar o nosso sistema imunitário a fortalecer-se, lembra a Direção -Geral da Saúde, embora reconheça que "existe ainda pouca evidência científica sobre a relação entre a doença por SARS-CoV-2 (COVID-19) e a alimentação".

Apesar disso, a DGS elaborou um manual com orientações para alimentação em situações de isolamento, que passam sobretudo pelo planeamento e uma seleção daquilo que vamos comprar quando é necessário sair de casa para ir às compras, ou quando sabemos que vamos estar em isolamento e queremos abastecer a despensa e o frigorífico.

"Não existe propriamente uma relação entre a doença covid-19 e a alimentação, contudo, há um conjunto de dúvidas que, quer a população, quer os profissionais de saúde têm colocado relativamente à alimentação", afirmou esta sexta-feira Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS.

Vale lembrar o óbvio: otimizar a ida aos supermercados é essencial para evitar deslocações frequentes e é necessário ter um comportamento que permita a boa gestão dos stocks por parte dos supermercados.

Como planear?

Fazer uma lista de compras organizada - o que permite idas menos frequentes ao supermercado.

Para organizar a lista de compras deve:
• Verificar os alimentos que ainda tem disponíveis em casa;
Verificar a capacidade de armazenamento à temperatura de refrigeração e congelação;
Planear as diferentes refeições que pretende fazer, assegurando a utilização dos alimentos que ainda tem disponíveis em casa e de modo a que seja possível não esquecer todos os alimentos e ingredientes específicos e necessários para a sua confeção;
• Considerar a importância de incluir maioritariamente alimentos que fazem parte de um padrão alimentar saudável, ou seja, alimentos dos diferentes grupos da Roda dos Alimentos e respeitando as proporções recomendadas;

Que alimentos deve mesmo comprar?

- Alimentos com um prazo de validade mais longo.

- O cesto de compras deve ter um bom equilíbrio entre alimentos com menor e maior durabilidade. Os alimentos com menor durabilidade podem ser adquiridos, contudo devem estar presentes em menor quantidade e deverão ser os primeiros a consumir.

- Preferir alimentos de elevado valor nutricional em detrimento de alimentos com elevada densidade energética;

- Assegurar a compra de produtos frescos, como fruta e hortícolas, preferindo aqueles que apresentam uma maior durabilidade e/ou produtos congelados para o caso dos hortícolas e mediante a capacidade de armazenamento.

Planeie as refeições que vai fazer usando os alimentos que tem em casa.

Exemplo de Kit alimentar para um período de isolamento para 14 dias

- Comprar pão em maior quantidade poderá ser uma opção caso exista capacidade de armazenamento no domicílio. Poderá optar por comprar farinha e fazer o seu próprio pão.

- Do grupo dos hortícolas e da fruta deve ser dada preferência aos que apresentam uma maior durabilidade. Dê prioridade aos seguintes: cenoura, cebola, courgette, abóbora, brócolos, couve-flor, feijão-verde e alho.

- Em menor quantidade podem estar os hortícolas de folha verde e o tomate - deverão ser consumidos nos
primeiros dias da quarentena.

- Se tiver espaço no congelador, compre ainda produtos hortícolas congelados.

- Para a fruta destacam-se as seguintes variedades: maçã, pera, laranja e tangerina. Outras variedades com menor durabilidade podem ser também adquiridas mas em menor quantidade.

- Cereais de pequeno-almoço: DGS lembra que devem ser comprados uma vez que têm boa durabilidade, elevada riqueza nutricional e não necessitam de ser armazenados no frigorífico. O mesmo acontece com o pão.

- Carne, peixe e ovos. Os ovos têm elevada durabilidade e riqueza nutricional e não necessitam de estar armazenados no frigorifico.

- Conservas de pescado também podem ser utilizadas para algumas das refeições.

- Peixe e carne poderão ser adquiridos quer em congelado ou fresco, contudo o pescado
e a carne frescos devem ser utilizados para os primeiros dois/três dias.

Os alimentos confecionados conservam-se bem e com qualidade por um período de 3 dias no frigorífico.

- Leguminosas (feijão, grão, ervilhas, lentilhas...), tanto as versões em conserva como as secas podem ser opções a considerar. As leguminosas têm proteínas de elevada qualidade, que podem ser alternativas à carne e pescado. Assim, pode sempre experimentar fazer algumas refeições sem carne ou pescado.

- Para o grupo dos laticínios, iogurtes só em caso de ter capacidade de armazenamento no frio.

Não é necessário comprar água - a da rede pública é adequada para consumo.

Tem crianças pequenas? Veja o que deve comprar


Leguminosas secas ou em conserva, que podem em algumas refeições ser alternativos à carne, pescado e ovos

Leite, iogurtes (avaliar capacidade de armazenamento no frigorífico)

Extras. Quais levar para casa?

Tomate pelado, frutos oleaginosos (nozes, amêndoas...), manteiga/creme vegetal, compotas e café.

6 passos para uma alimentação saudável em tempos de covid-19


- Coma mais fruta e hortícolas. Sopa de hortícolas ao almoço e jantar e 3 peças de fruta.
- Beba água ao longo do dia e sem açúcar. Beba por dia 1,5 a 1,9L de água (8 copos de água).
- Aproveite para recuperar a presença do feijão, do grão e das ervilhas à mesa.
- Mantenha a rotina das refeições diárias, evitando snacks com excesso de açúcar e sal ao longo do dia.
- Aproveite esta oportunidade e cozinhe saudável com os seus filhos.
- Use o seu tempo livre para ensinar os mais novos a cozinhar de forma saudável.

O SARS-CoV-2 (coronavírus) pode ser transmitido através dos alimentos?


Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não existe, até ao momento, evidência de qualquer tipo de contaminação através do consumo de alimentos cozinhados ou crus.

Há, no entanto, cuidados a ter na confeção das refeições. Quais são?

- Lavagem frequente e prolongada das mãos (com água e sabão durante 20 segundos), seguida de secagem apropriada evitando a contaminação cruzada (por exemplo fechar a torneira com uma toalha de papel ao invés da mão que a abriu enquanto suja);

- Desinfeção apropriada das bancadas de trabalho e das mesas com produtos apropriados;

- Evitar a contaminação entre alimentos crus e cozinhados;

- Lavar adequadamente os alimentos crus;

- Evitar partilhar comida ou objetos entre pessoas durante a sua preparação, confeção e consumo;

- Durante a preparação, confeção e consumo adote as medidas de etiqueta respiratória;

- Cozinhar e "empratar" a comida a temperaturas apropriadas.

Podemos reforçar o sistema imunitário através da alimentação?


Não existe nenhum alimento específico ou suplemento alimentar que possa prevenir ou ajudar no tratamento da COVID-19.

No entanto, para garantir o normal funcionamento do sistema imunitário, é necessário uma alimentação equilibrada com a presença de diferentes nutrientes, desde logo os fornecedores de energia (hidratos de carbono, proteínas e lípidos) e vitaminas e minerais (como as vitaminas A, B6, B9, B12, C e D e o cobre, ferro, selénio, zinco) e água. Estão todos na Roda dos Alimentos.

E a alimentação dos idosos? Deve ser diferente?


Os idosos são os que apresentam o maior risco de doença grave por covid-19. Segundo a DGS, um pior estado nutricional associa-se a um pior prognóstico e a um risco aumentado de complicações em caso de doença aguda e, consequentemente está associada a um maior risco de mortalidade.

Estas são as orientações da DGS para a população mais idosa:

- Diariamente devem ser consumidas duas porções de leite ou derivados (1 porção de leite = 240ml), nas refeições intercalares.
- Devem ser consumidas 2 a 3 porções de fruta por dia (1 porção = 1 peça de fruta média).
- Devem ser consumidas leguminosas (por ex. feijão, grão, ervilhas, lentilhas...) pelo menos 3 vezes por semana, por exemplo através da sua adição à sopa.
- A sopa de hortícolas deve estar presente nas duas refeições diárias. Uma importante fonte de vitaminas e minerais e que pode contribuir para otimizar o estado de hidratação.
- Deve ser incentivado o consumo de carne, pescado e ovos nas duas refeições principais (1 porção por refeição), de modo a assegurar uma ingestão proteica adequada, sendo que o peixe gordo deve consumido com uma frequência de 2 vezes por semana.
- O incentivo ao consumo de frutos oleaginosos (por ex. amêndoas, nozes...), para aqueles que não apresentam dificuldades de mastigação deve ser também considerado (1 a 3 vezes por semana)
- Considerando a diminuição do apetite que é comum nesta faixa etária e a alteração do paladar, devem ser promovidas refeições frequentes ao longo dia e de menor volume (cerca de 5 a 6 refeições).
- A quantidade diária deve variar entre 1,5 a 2 litros de água, no mínimo, o que equivale a cerca de 8 copos de água.
- Vitamina D: se a não for suficiente a proveniente da alimentação, para garantir o aporte necessário de vitamina D, sobretudo em indivíduos idosos cuja exposição solar seja baixa ou nula, será importante que os idosos possam, dentro das medidas de isolamento necessárias, ter alguns minutos de exposição solar diária. Neste caso, cerca de 20 minutos por dia, pelo menos na face, antebraços e mãos, entre as 12h e as 16h.

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