Codorniz-comum é a Ave do Ano 2020. Mas está sob forte ameaça

A codorniz-comum, cujo 'habitat' diminuiu 30% em Portugal na última década, foi eleita Ave do Ano de 2020 por votação de cibernautas portugueses e espanhóis, anunciou esta segunda-feira a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

A votação na internet decorreu em janeiro no âmbito de uma iniciativa organizada pela primeira vez em conjunto pela SPEA e pela Sociedade Espanhola de Ornitologia.

Em comunicado, a SPEA avisa que a codorniz, apesar de ser uma ave comum em Portugal, poderá vir a ser uma espécie ameaçada "se não forem implementadas medidas para travar o desaparecimento da diversidade natural dos campos".

Segundo a SPEA, a área de distribuição da codorniz-comum caiu 30% em Portugal nos últimos 10 anos em resultado das alterações nas práticas agrícolas, como a expansão das monoculturas, o desaparecimento dos pousios e a eliminação das sebes e margens.

A pressão da caça, o aumento do uso de herbicidas e inseticidas, a contaminação genética (com a introdução da codorniz-japonesa ou de espécies híbridas para fins cinegéticos) e as alterações climáticas são outros fatores apontados pela SPEA que poderão colocar em risco a sobrevivência da codorniz-comum.

Em Espanha, a população de codornizes diminuiu 70% nos últimos 20 anos. Em Portugal haverá 100 mil espécimes, de acordo com a SPEA.

"A população ibérica de codorniz é a mais importante da Europa Ocidental. Mas se não se fizer nada para valorizar a agricultura extensiva de sequeiro, vai seguir o caminho de outras espécies ameaçadas como o sisão e a águia-caçadeira", alerta o diretor-executivo da SPEA, Domingos Leitão, citado em comunicado.

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