"As alterações climáticas são piores que o Voldemort". Estudantes na rua fazem greve pelo clima

Estudantes de todo o mundo em greve pedem medidas concretas pelo ambiente. Alunos portugueses também estão na rua.

O protesto em nome do clima já está nas ruas: em dia de greve estudantil, espera-se que os estudantes de todo o mundo se manifestem para exigir aos políticos ações concretas para defesa do meio ambiente.

Ao som de batuque, algumas centenas de estudantes, em representação de 40 escolas, estão na manhã desta sexta-feira a manifestar-se no Porto exigindo "justiça climática" e gritando que o "capitalismo não é verde".

Oriundos de escolas do distrito do Porto, num universo de estudantes que incluiu alguns do Ensino Básico, a que se juntaram os pais, também eles com cartazes alusivos à manifestação, os jovens reuniram-se na Praça General Humberto Delgado, junto à Câmara Municipal.

Esta greve estudantil mundial tem como lema "fazer greve por um clima seguro" e é o culminar de uma série de manifestações semanais iniciadas no ano passado pela sueca Greta Thunberg, de 16 anos, nomeada para o prémio Nobel da paz.

A ativista que inspirou o movimento mundial contra as alterações climáticas subscreve hoje um manifesto defendendo que os estudantes estão em greve porque não têm outras opões."Este movimento tinha de acontecer, nós não temos escolhas. A maior parte dos grevistas que estão mobilizados ainda não podem votar. Imaginem o que isso significa. Apesar da crise climática, apesar de conhecermos os factos não temos possibilidade de falar sobre as alterações climáticas com aqueles que têm poder de decisão. Sendo assim, você também não estaria em greve", refere o documento que apela à participação dos adultos nas greves dos estudantes.

Protesto virtual em Singapura

Na Austrália, milhares de alunos deixaram as escolas e obrigaram ao fecho de ruas em Sidney, exigindo aos políticos ações concretas em defesa do meio ambiente.

"A mudança climática não é apenas uma crise ambiental, é uma crise humanitária, e precisa de ser tratada como tal", disse, em Sydney, ao canal de televisão 9 News a ativista estudantil Danielle, de 15 anos. "Os oceanos estão a subir e nós estamos a revoltar-nos", lia-se num cartaz.

Em Melbourne, duas ruas foram encerradas pelos manifestantes e a polícia teve que intervir quando os jovens tentaram escalar edifícios.

Em Adelaide, os estudantes encheram as escadas do parlamento regional e os protestos fizeram-se sentir igualmente em Camberra, Brisbane, Newcastle, Coffs Harbour, Wollongong, Bendigo e Geelong.

Já em Wellington, capital da Nova Zelândia, a "greve da escola pelo clima" arrancou com os estudantes - que contam com o apoio da primeira-ministra Jacinda Ardern - a desfilarem com cartazes, nos quais se liam 'slogans' como "O tempo está em vias de derreter" e "Agir agora ou nadar". Segundo a Reuters, um estudante mostrava ainda a frase "As alterações climáticas são piores que o Voldemort", numa referência ao vilão da saga de Harry Potter.

Na Nova Zelândia e na Austrália a iniciativa dos jovens não agradou a alguns políticos, que criticaram a realização do protesto durante o horário das aulas.

O presidente da associação de diretores de escolas do ensino secundário da Nova Zelândia, Michael Williams, estimou que a consequência da iniciativa sobre o clima seria "provavelmente zero", receando que os estudantes perdessem tempo "que devia ser consagrado a uma boa aprendizagem".

As manifestações estão planeadas em mais de 100 países, entre Europa, Ásia e EUA. Na Tailândia, cerca de 60 estudantes protestaram junto às instalações de um edifício governamental em Banguecoque, na Tailândia. Os cartazes tinham maioritariamente frases contra uso do plástico, visto que o país é um dos que mais polui as águas com plástico. O grupo acabou por ser convidado para uma reunião com os representantes do Ministério do Ambiente e dos Recursos Naturais, que acontecerá no espaço de duas semanas.

Em Seul, na Coreia do Sul, os cartazes mostravam frases como "Demasiado quente para estar na escola", "Não neguem as alterações climáticas" e "Educação ambiental devia ser obrigatória na escola primária". Em Singapura, onde existem leis restritas para reunião de pessoas na rua, os jovens planearam um protesto virtual nas redes sociais.

"Números promissores" em Portugal, diz um dos coordenadores

Em Portugal, prevê-se que 26 cidades se associem à greve, não só no continente como nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. As greves vão ter discursos, cânticos, cartazes e instalações de sensibilização, mas segundo Duarte Antão, estudante da Faculdade de Direito de Coimbra e um dos coordenadores da greve em Portugal, distinguem-se por serem "a primeira manifestação do país a unir todos os alunos desde crianças do jardim-de-infância até alunos de doutoramento" e é nessa "união" que reside a sua força.

Numa antecipação dos protestos, Duarte Antão refere que não é possível calcular o número de pessoas que vão sair à rua por todo o país, mas através das redes sociais e dos contactos que têm vindo a receber os "números parecem bastante promissores."

Os jovens que estão a organizar a greve climática por parte dos estudantes foram recebidos esta semana pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. O ministro referiu após o encontro que a defesa das questões ambientais "é a mais importante das causas pelas quais as pessoas se podem manifestar".

Com Reuters

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